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10.10.08

não há almoços à borla... cunhas e pactos de silêncio!

“…a Câmara receberia como contrapartida pela cedência dos terrenos um dos prédios com os apartamentos completamento equipados. Era um edifício muito grande, seguramente vinte ou trinta apartamentos, numa zona que aos preços do mercado era (e é) valiosíssima. Outro documento tinha o rol das pessoas a quem a Câmara tinha entregue os apartamentos. Havia advogados, arquitectos, engenheiros, médicos, muitos políticos e jornalistas. Aqui aparecia o nome de personagem proeminente na altura que era chefe de redacção na RTP.”

“…Quem tem estas casas gratuitas (é isso que elas são) é gente poderosa. Há assessores dispersos por várias forças políticas e a vários níveis do Estado, capazes de com uma palavra no momento certo construir ou destruir carreiras. Há jornalistas que com palavras adequadas favoreceram ou omitiram situações de gravidade porque isso era (é) parte da renda cobrada nos apartamentos da Quinta do Lambert e noutros lados. O silêncio foi quebrado agora que os media se multiplicaram e não é possível esconder por mais vinte anos a infâmia das sinecuras. Os prejuízos directos de décadas de venalidade política atingem muitos milhões.”

“Não se pode aceitar que esta comunidade de pedintes influentes se continue a acoitar no argumento de que habita as fracções de património público "legalmente". Em essência nada distingue os extorsionistas profissionais dos bairros sociais das Quintas da Fonte dos oportunistas políticos que de suplicância em suplicância chegaram às Quintas do Lambert. São a mesma gente. Só moram em quintas diferentes. Por esse país fora.” Viu-se o pacto do silêncio aqui!
Hoje no público temos mais uns pequenos detalhes sobre os beneficiários das cunhas, num país, à beira do colapso económico, onde muito se queixa a classe média e com razão, que ainda não provou o quotidiano de quem apenas sobrevive com o ordenado mínimo ou ainda menos! Mas só tem problemas quem tem voz... ou ligação à net! Quem não tem voz, não tem problemas nem hipóteses de meter uma cunha para que lhe seja atribuído um T1 ou T2 no centro de Lisboa... ou muito simplesmente uma data de consulta ou de cirurgia num hospital público... porque, até aí, é preciso ter cunha!
Vergonha de país! E só pactos de silêncio! Insurjam-se, não deixem isto continuar!

21.8.07

o milho da discórdia
cuidado com os transgénicos

Parece-me que a polémica relativa às culturas de transgénicos em Portual só agora começou, que muito há a fazer para informar e sensibilizar a opinião pública para este assunto e não é só o milho que está em causa. Já aqui alertei para esta questão por duas vezes, relativamente à falta de interesse dos portugueses por ela, como de uma maneira geral não manifestam muita curiosidade por questões ligadas ao ambiente, e a imprensa só se interessa por elas quando os calendários mediáticos os obrigam na urgência, da pior maneira, e para a forma como os governos europeus e Comissão Europeia não procedem com transparência, para com os seus cidadãos, manipulando a informação a que têm direito, escondendo resultados de estudos.
Não defendo o que o movimento Eufemia Verde fez à plantação de milho do Algarve. Poderiam ter feito a coisa de outra forma, com uma intervenção mais simbólica e, talvez, mais espectacular ainda, sem, no entanto, ter dado aso ao sururu e à incompreenção gerados, mas tenho que reconhecer que foi radical, ao menos a questão foi levantada, infelizmente pelas más razões, porque foi uma acção desproporcionada que corre o risco de ser contraprudecente. No JN encontrei um artigo, bastante equilibrado, sobre o caso, de onde extraí algumas passagens um pouco mais esclarecedoras que o que se tem publicado nestes dias:

Relativamente à cultura de transgénicos em Portugal deve saber-se que
: "Obedecem a regras definidas pelo Ministério da Agricultura, que indicam, entre outros procedimentos, distâncias e barreiras entre o cultivo transgénico e culturas vizinhas. Mas organizações como a Quercus, que se demarca da actuação na herdade da Lameira, critica a lei portuguesa, que diz favorecer a contaminação cruzada. Também a Frente do Algarve Livre de Transgénicos surge a assinalar um nível de "precaução zero" na cultura destruída, em termos de contaminação.

A lei fala em pelo menos 200 metros de distância, ainda assim nem sempre obrigatórios, critica Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora. Segundo esta bióloga, "os governos têm tido como política facilitar os OGM" e o riscos de contaminação são uma realidade. "A coexistência é impossível", resume. Eventuais riscos para a saúde humana, na interpretação de Margarida Silva, que se apoia em alguns estudos laboratoriais, serão também de temer por quem consuma OGM.

Por parte da Liga para a Protecção da Natureza, uma posição sobre os acontecimentos de Silves só será tomada hoje. Mas, a título pessoal, o seu presidente adiantou ao JN não estar de acordo com a destruição. No entanto, Eugénio Sequeira tem muitos reparos a fazer à legislação. "É uma lei muito estranha as zonas livres de transgénicos só podem ser instituídas por unanimidade". Este dirigente assaca culpas aos jornalistas por não terem fomentado uma visibilidade ao tema das culturas transgénicas antes que qualquer grupo lançasse mão do argumento da destruição de uma cultura."

A totalidade do artigo no JN de hoje.

Postas anteriores sobre o assunto AQUI e AQUI.

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