10.2.08

a presença extravagante do mundo ou o fim do real



Já tinha visto este vídeo duas vezes, uma no canal franco/alemão Arte, já alguns anos, e depois no youtube, por acaso, por indicação dum artigo no média cidadão Agoravox. Voltei a encontrá-lo esta manhã no blog da Ana Paula e, de repente, relembrei a ideia dum post que não concretizei na altura, sobre como esta reflexão em torno da imagem e do excesso de imagens que nos rodeia, a propósito do trabalho fotográfico de Jean Baudrillard, sociólogo e pensador francês, que tanto escreveu sobre as simulações do real das nossas sociedades hiper mediatizadas.

É neste mundo de imoderação mediática onde a simulação do real no desfile incessante de imagens, em que tudo vale tudo e que tudo nada vale, que sinto a necessidade de me reapropriar do real pela criação de imagens retrabalhadas, recortadas ou moídas, assim como nas experiências de desordem de palavras e de sons, que podem ver no IMAGO e no KALEIDIKON. Uma forma de recriar o real, tão velha como a humanidade, que experimentam todos os artistas nas artes visuais, na literatura, na música e que as novas tecnologias com o acesso à web, dispondo de blogs e de alguns instrumentos para a realização numérica, podem sem pretensões de forma mais ou menos lúdica , mesmo sem uma grande audiência, transmitir, como um reflexo pessoal desse tão simulado real e onde a simulação se erige em verdade extasiante.

Fiz ontem uma descoberta que vai ser objecto do próximo post e tem a ver, um pouco, com o que acabei de contar: CRIAL e CRIALISMO para traduzir o que Luis de Miranda nomeia "CRÉEL" e "CRÉALISME"

4 comments:

Gi said...

uma realidade muito virtual mas que não deixa de ser "real" e de ter consequências gravosas e desastrosas . O problema é que a massificação de informação e de imagens acaba por disvirtuar a intenção inicial , a de informar.
Para alguns é só mais uma história, como se de um filme um de um jogo se tratasse.

Fico à espera de mais.

Um beijo

e-ko said...

tentei responder imediatamente ao teu comentário e apareceu-me outro problema... fiquei sem poder entrar na conta do google.

lembro-me que queria dizer-te que aprecio a tua sensibilidade inteligente.

beijinho

Anonymous said...

ola
finalmente, pensando bem, a traduçao de Créel por crial nao esta mal tambem...
Embora o francês permita de gardar a ambiguidade...
abraço
Luis de Miranda

e-ko said...

olá Luis,

obrigada pela visita e comentário.

há, de facto, muitos casos em que, na língua francesa, a ambiguidade tem aspectos benéficos... aqui, a escolha duma tradução de créel em creal ou crial tem consequências na precisão do seu significado, as duas traduções são possíveis, agora trata-se de optar por pôr mais relevo no aspecto criar ou real.

vi que houve remodelação na caixa de comentários do "arsenal do midi"...

encomendei, já há um mês, um dos seus livros, porque não estão à venda por aqui e a FNAC ainda não me enviou o SMS para o ir buscar... queria ver um pouco mais de perto como se concretiza o "créalisme" e quais as suas manifestações no "créel" escolhi o "ego trip" de Maxmilo.

abraço
teresa