7.2.08

nada me surpreende na natureza humana... nem na natureza das audiências dos médias e até da blogosfera...

Em reacção ao último post do Arrebenta, no Vicentinas, aqui vai o comentário que já lá está e o post que aí menciono:


"sempre bem escrito... mas, desta vez, partindo de pressupostos errados.

só precisamos de saber que este caso, como o da pia casa, são as pontas dum icebergue gigantesco que é a nossa jUSTIÇA e o desempenho das nossas polícias... aqui não há nem nunca houve investigação policial, só escutas, leitura de borras de café e de bolas de cristal, no interior das esquadras e, quando são obrigados pela dimensão dos processos a iniciarem qualquer investigação já os vestígios não são senão delírios sem consistência... nestes últimos 8 anos desde que para aqui voltei, infelizmente para mim, fui constatando tudo isto vivendo-o na pele!

e não é justo dizer que tudo prescreve nesta espécie de país. as prisões estão cheias de desgraçados que não podem pagar as multas e as despesas de justiça e isso já o disse o Marinho Pinto... os poderosos continuam a circular na impunidade... dum terceiro mundo bananeiro! (acrescento: é impressionante o silêncio ensurdecedor que se seguiu à entrevista do bastonário e não são as suas insistências sobre as intenções em decapitar o PS que o torna menos credível)...

é absolutamente normal que o Reino de sua majestade defenda os seus súbditos - só num país como o nosso se deixa ao Deus dará a situação dos seus cidadãos que se encontram a braços com a justiça dos países por onde passam! - sobretudo quando as provas que os levam ao estatuto de arguidos são ténues... provavelmente, se o carro serviu para transportar animais mortos, por turistas caçadores, até é fácil encontrar vagos indícios de cadáver... não é a reserva emotiva de Kate ou de Gerry que podem servir de argumento para os incriminar... se neste país, a falta de lágrimas fáceis é logo índício de qualquer coisa, nos países do norte, a partir de Poitiers para cima, as pessoas tem outra educação que os latinos e não manifestam certo tipo de sentimentos e não quer dizer que não os tenham... estava eu bem tramada, numa situação semelhante, seria logo inculpada, porque não verto lágrimas de crocodilo... tive uma educação e uma experiência de vida muito diferente da maioria dos tugas!... em vez de chorar, insurjo-me, barafusto, protesto, mas não sai uma lágrima! até caír sem forças!

continuo com a mesma posição de quando aqui postei, há dois ou três meses, para dizer que tudo isto estava mal alinhavado e que não contassem comigo para fazer coro contra os pais de Madeleine, é insuportável a procura demagógica de audiências, tanto nos médias como na blogosfera.

devíamos era preocupar-nos e debater sobre o estado da jUSTIÇA e das polícias desta espécie de estado de direito em liquefacção... nisto temos todos responsabilidades, uns mais outros menos e até tenho algumas tristes histórias a contar sobre o que é a jUSTIÇA para o cidadão comum... o resto só são excepções que confirmam regras!"

O post citado:
NADA ME SURPREENDE NA NATUREZA HUMANA...
...nem que os pais da pequena Madeleine sejam agora alvo da suspeita de homicídio involuntário e ocultação de cadáver da sua própria filha, nem que a polícia portuguesa, tenha agora dado relevo a indícios frágeis, para se descartar de acusações de insuficiências no modo como conduziu as investigações desde o início.
Mesmo que, casos como este, não sejam regidos pela lógica, parece-me muito pouco lógico e provável que um pai e uma mãe com o nível de formação humana, moral e académica, não tendo em conta as suas posições sócio-económicas porque estas não são garante de nada, tivessem ocultado, durante tanto tempo, o cadáver da criança se, porventura, um acidente simples ou por negligência lhe tivesse causado a morte.
Se a versão do casal tem algumas lacunas e incoerências, as versões da polícia, com as sucessivas declarações públicas - que muito me incomodaram devo confessar - me parecem mais um jogo de defesa de uma credibilidade muito fragilizada, basta ver o que se tem passado em investigações anteriores de casos de desaparecimento de crianças ou no caso Casa Pia.
O que é insuportável é toda esta mediatização do caso, e os McCanne só estão a ser vítimas do movimento que eles próprios desencadearam, mas, os médias não recuam perante nada para avivar as fogueiras dos julgamentos em praça pública. Os interesses económicos das audiências dos médias e das vendas de jornais agradecem. Os portuguesinhos comoveram-se com a desgraça que caíu numa família tão católica e com ela partilharam as orações para que a criança fosse encontrada sob a protecção de DEUS, agora, e sem provas consistentes que incriminem aqueles pais, vociferam acusações e insultos à passagem dos mesmos, sem que existam acusações formais contra eles, e, que muito provavelmente nunca existirão, quer tenham ou não cometido o crime de que são suspeitos.
Como já disse, nada me surpreende na "natureza humana", da mesma forma que não acredito na eficiência da nossa Justiça e muito menos na competência das nossas polícias, não por princípio, mas, pelo que vou observando à minha volta e experimentando na realidade. Não acredito nem deixo de acreditar no que dizem uns e outros, vou ouvindo, mas não contem comigo para fazer coro com os que procuram fazer julgamento na praça pública.
adenda: como diz o Daniel no Arrastão "Os tablóides, jornalistas e “especialistas” que participaram no linchamento público dos pais devem se identificados pelos seus próprios leitores/ouvintes/telespectadores para que a partir de agora sejam lidos, ouvidos e vistos com a enorme reserva que merecem. Não é o primeiro nem o segundo caso em que cumprem este triste papel: o de inventar quando não sabem o que dizer. E não será o último. São um cancro na comunicação social e na democracia. Só leitores informados, que se recusem a dar crédito a quem não o merece, os podem neutralizar." (estou totalmente de acordo com tudo o que lá está escrito, é só barracas, tanto no caso da PJ como dos médias).

5 comments:

Kaos said...

Vim só confirmar que este continua a ser um dos mais belos locais da blogosfera
bjs

'inválido' said...
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e-ko said...

olá Kaos,

obrigada pela visita... e pelo elogio. não tenho andado muito pela blogosfera por problemas de acesso internet... pensava que mudada de burro para cavalo e só mudei de burro (sapo) para burro (clix)! a única vantagem é custar menos uns euros, já é alguma coisa.

abraço

Spectrum said...

Como sabes não partilho a tua opinião. A PJ é das polícias de investigação que apresenta maior número de casos resolvidos. Não vou fazer julgamentos sobre o comportamento dos pais da pequena inglesa desparecida, mas sempre te vou dizendo que acredito piamente na culpabilidade deles, e a polícia teve de fazer o frete de dar o dito por não dito, mas por razões puramente políticas e pressões do governo inglês. Tenho a certeza de que a PJ tem a certeza de quem é responsável, apenas nada pode fazer. Não teve de assistir à fuga em directo de mãos atadas?

e-ko said...

não, não sabia que não partilhavas a minha opinião, nunca abordámos essa questão, mas é só uma opinião... tanto a minha como a tua!

a nossa PJ talvez tenha uma taxa importante de casos resolvidos... mas o país é pequeno e a delinquência no nosso país tem a taxa mais baixa de toda a Europa a 27... e há muitos inocentes acusados... até eu sou exemplo, e fui acusada sem provas nem investigação! e isso tu sabes!

tenho é dificuldade em acreditar na culpabilidade de Kate e Gerry com o guião abracadabrante e macabro da ocultação de cadáver, durante meses, impossível nos meses de verão sem meios de que não dispunham por terras estrangeiras, a investigação teria sido muito mais eficiente se não tivessem sido constituidos arguidos porque teriam ficado por cá e as suas colaborações teriam sido mais profíquas, no caso deles, não percebendo muito bem o que era ser constituido arguido pois só aqui existe esse estatuto e por ser tão fácil contituir arguido seja quem for isso foi modificado e a PJ precipitou-se nessa operação pois uma semana depois já não o podia ter feito, e tendo sido sujeitos a interrogatórios que só não foram musculados por se tratar dum caso altamente mediático e delicado, por já estar a ser seguido pelos serviços consulares (ver o que a pj fez no caso Joana... uma vergonha, mesmo se a mãe fosse a suspeita principal... métodos muito duvidosos, digno das prisões de Abou Grahib, até cortam cabeças se for preciso! que se substituiram a uma investigação séria, mas como era gente sem eira nem beira... todos os métodos serviram e até aos médias).

enquanto as provas não forem consistentes e sem cadáver, não poderá haver inculpação é o princípio básico da Justiça e não são as opiniões dos médias ou dos bloggers que vão pesar na balança... é evidente que a PJ fez muitos erros nas investigações e não é a constituição de arguidos do casal que resolvem o problema dela.