31.8.06

Just like a woman

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Uma forma de confirmar o que já se vai sabendo por aí...
com um vídeo dum excerto do concerto humanitário que foi organizado pelo George Harrison para ajudar o Bengala Desh depois da catástrofe. Concerto que data de 1971, o primeiro concerto humanitário da nossa recente história da pop-music, organizado a pedido de Ravi Shankar.

13 comments:

hefastion said...

Guardo alguma nostalgia por 1971: foi ano em que entrei para a FDUL e simultaneamente sentia a guilhotina de poder ser incorporado nas Forças Armadas e terminar, para sempre, o curso na guerra colonial.
Tão imaturo que eu era e tão "responsável" que me tornei... com tantos constrangimentos ( próprios do regime e da FDUL) mesmo assim lá consegui adiar...o thanatos... até que passei à reserva...

josé said...

Eh lá! Estamos entre "maduros"...

Então aí vai:

O concerto para o Bangladesh foi, durante muitos anos apenas uma recordação de papel. Li na Rock & Folk e li em reportagens avulsas.

Quando saiu o dvd, ainda este ano, nem hesitei e merquei o produto que está muito bem feito.
Do Bob Dylan dessa época, guardo a recordação precisamente desse intemporal Just Like a Woman, durante muitos anos a minha canção fetiche, para o romantismo mais perfeito.
Já não é tanto, porque as paixões mudam as pessoas e numa delas perdi-me de vez com outras canções, a maioria delas francesas- do Moustaki e do Reggiani.
Ando aliás a preparar um texto sobre la Chanson Française.
Estou em crer que vão gostar- se lerem...

Ainda quanto a Dylan, no ano seguinte, publicou um single - George Jackson - que não se encontra por aí, mas só de me lembrar já me dá gosto em procurar.
E o blusão de ganga é o mesmo que figura no Greatest Hits e durante anos foi uma referência de moda, para mim.
COmo tinha que ser da Levi´s, esperei...e acabei por arranjar um da Wrangler.
Coisas- palermices- que só em caixas de comentários se podem confessar...

hefastion said...

Identifico-me quase em tudo, excepto nas paixões do José, porque não acredito que o(s) objecto (s) amado(s) fosse(m) o(s) mesmo(s).
Sobre a Chanson Française sinto-me completamente incompetente, nem que fosse só para escrever uma linha.

Resta-me, pois as afinidades Levi's, Wrangler e...quem sabe a História do Direito Romano... só para ficarmos por aqui...

e-konoklasta said...
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e-konoklasta said...

Pois, meus amigos,
em 71 já tinha zarpado há muito... e, portanto, não corria o risco de ir fazer tijolo para a guerra do ultramar.
Voltei há meia dúzia de anos e, não sei se vos diga ou se vos conte... vou de más surpresas em más surpresas... Ah ! não é o momento! Estamos nos "souvenirs"...
Andei em Paris nessa altura, altura em que lá andava o outro maluco do Jim Morrisson. Esse já está preparado para vir para aqui brevemente.
Não andei pelos direitos nem muito a direito, mesmo se iniciei estudos, nessa época, de urbanismo e ordenamento do território... com a paixão das artes plásticas em paralelo.
Isso da canção francesa interessa-me. Também estava a preparar qualquer coisa, mas mais para o lado do Dutronc e Gainsbourg. Não encontro vídeos do Boris Vian, chatice; le déserteur, la complainte de la modernité, etc.
Voltem sempre!

josé said...

Dutronc? Gainsbourg?

C´est pas le pied, pour moi.
Moi, c´est plutôt Moustaki, Reggiani, Brassens, Maxime Le Forestier, Jean Ferrat, George Manset...et aussi Françoise Hardy.
Françoise Hardy tem uma voz lindíssima que me encanta ainda hoje.
Ce petit coeur e À quoi ça sert? são duas que ainda hoje me matam de romantismo exarcebado.
São duas cantiguinhas femininas, femininas de todo. C´est fatal.
Dutronc( que casou com a belíssima Françoise) cantava j´aime les filles. Et je suis d´accord...bien sûr.

josé said...

Exacerbado, claro.

maloud said...

Nunca "percebi" o Dutronc, mas à lista francesa acrescentaria o Ferré e o Brel. Eu sei que ele é belga, mas o Moustaki é grego.
Quanto à Françoise Hardy guardo-a na memória, porque a idade não a favoreceu. Antes das férias vi uma entrevista na TV5 e parecia taradinha de todo.

e-konoklasta said...

Bom,

É preciso ter vivido em França algum tempo para compreender o Dutronc e o Gainsbourg. Quando, há muito tempo, ouvi pela primeira vez, na rádio, "il est 5 heures Paris s'éveille", sem saber nada, nem da canção nem do cantor e que se cai "à la renverse" tendo apenas na memória um pouco da melodia e "quelques bribes" da letra, sem saber o título, nada. Só restava esperar ouvi-la, outra vez na rádio e: "il est 5 heures Paris s'éveille/ Je suis le dauphin de la place Dauphine et la place blanche a mauvaise mine/ Les Travestis vont se raser les striptiseuses sont rahabillées/et sur le boulevard Montparnasse la gare n'est plus qu'une carcasse..." e há uma melodia, composta pelo próprio Dutronc que não tem nada a ver com outras coisas que ele cantou. Depois, mais tarde o "l'oportuniste" todas as canções são todas muito irónicas e acabei por gostar de outras como "et moi, et moi...".
Depois descobri o Gainsbourg na mesma altura, nas mesmas condições com uma canção que evoca o trabalho fastidioso dum controlador de bilhetes de metro "les petits trous" "des petits trous, toujours des petits trous" com uma melodia excelente e a "Javanaise" ?
Gosto muito de Reggiani, sou uma incondicional de Brassens e de Barbara, os restantes são muito bons e gosto, o Brel e "les vieux" ou "les bombons" (sarcástico), a Greco e alguns mais novos (poucos) depois procuro vídeos de coisas interessantes. Não é do romantismo exarcebado de que mais gosto na canção francesa, gosto das portas que rangem e das janelas que batem com o vento, como nas canções de Dylan.

josé said...

Pois é...mas quando se ouve uma vez L´absence, mesmo antes dos vinte anos, não há volta a dar-lhe.
Quando na mesma altura se ouve e compreende Tes gestes, fica a marca- para sempre.
Quando depois se ouve Sarah ( Le femme qui est dans mon lit n´a plus vingt ans depuis longtemps, lalalal)e se compreendem todas as curvas da melodia ( ahahaha), já a paixãos e assolapou.
E depois disto tudo, ouvir Joseph ou La chanson d´un père a son fils ( Dis moi petit garçon...) já nem é o romantismo nem nada: é a perfeição da beleza intemporal da sabedoria.
A seguir a isto, levar com um banho sonoro de Moustaki e perceber La carte du tendre, é o estoque final.
Só com Brel se sai do torpor. Ou com Brassens e Les trompetes de la renomée.

e-konoklasta said...

Já estava cançada ontem depois do "no direction home" e não me lembrei de acrescentar ao comentário o seguinte:
tinha saído de portugal numa época em que as ondas só propagavam música portuguesa que detestava, faducho, Tonis de Matos, Madalenas Iglésias, Calvários e romantismos bacocos, como diria a Zazie. Claro que lá passavam música anglo-saxónica, da mais conveniente, género Yé-Yé, como alguma Yé-Yé francesa e mesmo o Brel e até a Greco. Nestas condições, podem crer que, ouvir o Brassens, o Férré, o Ferrat e depois a Barbara, o Gainsbourg, o Dutronc e outros que de momento não me vêm à ideia, foi uma revelação. Não é por acaso, que no panorama internacional da música popular, a canção francesa daquela época é ainda uma referência importante, mesmo se os mais novos mal conhecem, embora muitos jovem cantores retomem alguns títulos que ouvi então quando era ainda muito jovem, mesmo muito.

josé said...

Em Portugal, antes de 25 de Abril, ouvi todos aqueles que citei, na rádio. Não nos programas da manhã ou da tarde, mas a partir das 7 e meia da noite, havia o Página Um. E o Em Órbita, até 69 passou tudo o que havia a passar- e eu não ouvi porque estava ausente.
E alguns locutores, passavam Ferré como quem passa agora Joss Stone.
Muito Ferré. Brel era quase variedades. Brassens, era corrente em alguns programas, mas não Ferrat, curiosamente.
Reggiani era corrente e constante.
A canção Je t´aime, moi non plus, de 68 ou 69, não passava na rádio, claro. Mas havia discos à venda, ao contrário da Itália, parece-me.
E as variedades francesas de Christophe e Adamo, além de Sylvie Vartan, por exemplo, eram do mais corrente que podia haver.
Lembro de Aline; de Tombe la neige, etc.
Barbara também ouvi. Gilbert Bécaud, muito.
Porém, nunca ouvi Claude François ou mesmo Johnny Halliday, tipicamente um fenómeno francês.

e-konoklasta said...

Lembro-me que antes de saír de cá, também tinha ouvido também na rádio, já não sei qual, o Dylan e a Joan Baez e costumava cantar, e até tinha gravado, uma canção que ela cantava e que adoro "We shall over come" ainda me lembro da letra, na íntegra, um canto de revolta, na tradição afro-americana do gospel e spirituals, de luta pelos direitos dos negros americanos, hoje também cantada por Bruce Springsteen, e escrita no sec.XVIII por um negro que andou aos baldões nos barcos que transportavam escravos "We shall over come some day".

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