24.1.09

sobre a falta de médicos em Portugal

"Estamos perante uma situação surrealista: há 15 anos, ou mais, não soubemos ou não quisemos planificar as nossas necessidades básicas (saúde/médicos). Durante esse período, o Estado (Ministério da Saúde e Ministério da Educação), as Faculdades de Medicina e a Ordem Profissional obrigaram por distracção, omissão ou defesa cooperativista de uma classe, a emigração forçada de milhares de jovens valiosos, impedindo-os de fazer os seus estudos de medicina em Portugal, para agora se constatar uma situação de grave ruptura nessa profissão tão necessária para o País.

Esse desnorte, já de si muito grave, destruiu também sonhos, vocações e legítimas expectativas: muitos desses jovens necessitaram de acompanhamento médico e muitos nunca mais voltaram a ser os jovens esperançosos e dinâmicos que tinham sido, e milhares de famílias do nosso País foram afectadas. Conheço algumas e várias escreveram-me descrevendo as revoltas, frustrações e angústias…suas e dos seus filhos!

Muitos desses milhares de jovens obrigados a emigrar para concretizarem os seus sonhos e anseios, magoados e maltratados pelos irresponsáveis do seu país que montaram um sistema de selecção completamente estapafúrdio, injusto e inconsequente, nunca mais regressarão ao nosso país porque a sua formação além fronteiras não é devidamente valorizada, porque por lá criaram novos laços familiares e porque preferiram ou preferem ficar nos países onde se formaram (Espanha, França, Bélgica, Inglaterra, República Checa, EUA, Itália…) ou são aliciados para outros países onde são e serão melhor acolhidos e remunerados como a Suécia…"

O que antecede é uma parte dum postal de Fernando Nobre (AMI) que subscrevo na totalidade. Um blogue a ler com atenção, por aqui!

3 comments:

Mar Arável said...

Lamento

mas tem toda a razão

Admito alguma correcção

neste ano de urnas

Farelhão said...

Essa é uma das vertentes do problema. Para além dos que não entram no curso por razões corporativistas, ainda há os que entram e ficam sujeitos a um "sistema" que os molda à medicina comercial, desumanizada e corrupta, razão pela qual ou aguentam e "jogam o jogo" ou não aceitam e partem para outra. Foi o meu caso.

Alien8 said...

E eu também subscrevo, evidentemente.