12.1.08

"o amor é um previlégio da idade" Edgar Morin
e para poucos, acrescento eu...

Vou acabar por desinteressar-me, completamente, pelo que se passa neste país. Devo ver quatro horas de televisão por semana nas quais se compreendem alguns minutos do jornal do canal dois das 22 horas, algumas, nem todas, as emissões de "câmara clara" e dois ou três filmes por ano - detesto ver filmes na televisão e os poucos que não vi, que me interessam, não passam - a informação escrita é uma miséria, sem qualquer interesse. Blogs, poucos, e com pinças, muitos retomam as agendas e correm as opiniões dos outros, para afirmarem as suas próprias , como se fosse importante... do que precisamos realmente é de informação e debates sérios e não de opiniões.

Procuro e encontro algumas coisas que me interessam nos médias francófonos, sim, porque, este fascínio exercido pela cultura e médias anglo-saxónicos, não só é monomaníaco como insano. Sou pela pluralidade informativa e linguística, mas, lamento, já não suporto esta atitude, provinciana de subserviência, de se gargarizar por todo o lado, e insistentemente, com os anglicismos mal digeridos, sob pretexto de não sei quê, mais do que provavelmente por pedantismo, quando existem palavras da nossa língua capazes de designarem o que esses vocábulos impõem ao mundo inteiro que se designe...

Ora, nestes últimos tempos, nesses mesmos médias francófonos e em particular franceses, veio a lume, depois da tão badalada união mais ou menos de facto ou de mais ou menos conveniência para a eventual futura princesa consorte, até já se falou de contrato de alto preço - talvez por isso o Sarkozy tenha feito com que fosse multiplicada por dois, a sua remuneração de presidente, de forma tão apressada e contestada - o discurso televisivo de passagem de calendário de Sarkozy preparado ao que se sabe pelo seu chefe de gabinete Henri Guaino, e que bastante polémica tem desencadeado, pela evidenciação da desonestidade intelectual que demonstrou, e já não falo da desonestidade política, porque, cada vez mais, é pleunasmo.

A lufada de ar fresco em política, como aí pela nossa blogosferas alguns o qualificam, Sarkozy, no seu discurso, teve o atrevimento de citar, sem o nomear, Edgar Morin, ao fazer um apelo para uma "política de civilização" e só os incautos acharam que se tratava de uma declaração de peso para uma futura política . Os outros caíram-lhe em cima e até teve que pedir ao pensador para o ir ver ao Eliseu. O que se passou depois é para rir às gargalhadas!

Para continuar a tentar perceber o que se passou, aqui vai um excerto dum artigo do lemonde de hoje:
"Lundi, Edgar Morin est parti tranquillement pour l'Elysée. Nicolas Sarkozy et sa "plume" Henri Guaino l'attendaient dans le bureau présidentiel. Quelques jours auparavant, le 31 décembre, le chef de l'Etat avait affirmé, dans ses voeux aux Français, sa volonté de mettre en oeuvre "une politique de civilisation". Et pour tout dire, l'auteur de ce concept, de gauche "depuis toujours", n'était pas certain que le président connaissait le contenu de la formule qu'il avait piratée."
"Quand Henri Guaino “plagie” Edgar Morin - Y a-t-il dans la salle quelqu’un qui ait suivi à la télévision la cérémonie des voeux du président de la République et qui soit capable de nous expliquer ce qu’il a bien pu entendre par “politique de civilisation” ?"
e um comentador responde: "Attention Passou, pour moins que ça Riton a traité BHL de “petit con”.
@Decryptor, parmi les usages de Sarkozy vous avez oublié de citer la prière, car il est croyant et prie. Et veut redonner aux valeurs religieuses leurs lettres de noblesse. On se demande bien pourquoi il déplaît tant à ML. Sarko n’a aucun principe, aucun scrupule, pour lui tout est à vendre et tout s’achète. Il s’est déjà acheté Benhamou, Attali, Kouchner, Amara et Hirsch (Besson y compte pas, il trahi haut et fort) et Lang attend qu’il y mette le prix. Pas exactement Morin
." Lúcidos estes gauleses!

Esclarecidos, ou tenho que vos fazer um desenho ? o de lá de cima é de Francis Bacon com o título "estudo de corpo humano".

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