22.9.06

chegou a bomba...



Vou limitar-me a fazer copiar/colar do artigo que li hoje no DN escrito por Leonor Figueiredo. É a confirmação do que já se suspeitava, ou sabia e que muita gente, ligada ao ensino, não quer ver...

""Somos poucos e não muito bons." É este o diagnóstico sobre o ensino em Portugal feito pelos economistas do Banco Europeu de Investimentos, Luísa Ferreira e Pedro Lima, cujos resultados "sugerem a incapacidade dos jovens em transitarem do sistema educativo para o mundo do trabalho".
Os autores usam os indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e desmontam argumentos desculpabilizantes do estado a que chegou o ensino. A sua análise será incluída no livro Desastre no Ensino da Matemática: Recuperar o Tempo Perdido, organizado pelo professor Nuno Crato (ver caixa).Apesar da "progressão notável" de alunos no ensino desde os anos 60, a verdade é que, 40 anos depois, Portugal está na cauda da OCDE. O número de estudantes de todos os níveis situa-se "claramente abaixo" dos países desenvolvidos. Só 35% dos adultos que beneficiaram do investimento na educação nas últimas décadas (hoje têm entre 25 e 34 anos) acabaram o secundário, remetendo-nos para o 3.º pior lugar, quando em mais de metade da OCDE o secundário foi atingido por 80%.
"É fácil antecipar que a desejada convergência com os nossos parceiros europeus não se processará num futuro próximo", alertam os economistas, dado os níveis de abandono escolar e saídas precoces, sem paralelo na Europa. O mais assustador é que o número não baixou nos últimos dez anos, já que cerca de metade dos jovens entre os 18 e os 24 anos continuam a virar costas à escola. Há cinco anos, um quarto dos nossos jovens não tinha sequer concluído o 9.º ano. Os níveis de participação no secundário e universitário estão, portanto, "claramente abaixo de valores óptimos".
A qualidade não é melhor, dado o "desempenho modesto dos alunos portugueses, sempre abaixo da média global". Baseados em testes internacionais (IALS, TIMSS e PISA), os autores sublinham que o nosso sistema educativo "parece incapaz de produzir um produto cuja qualidade média consiga competir".Melhores não são excelentesA prestação em literacia matemática "é má", não pelos maus alunos mas pelos melhores, cuja performance é "consideravelmente inferior à média" homóloga na OCDE.
Se o nível de despesa fosse "factor explicativo decisivo", defendem os economistas, seriam de esperar "resultados bastante elevados" nos alunos com 15 anos, o que não acontece.Quanto aos gastos, "seriam perfeitamente compatíveis com um sistema competitivo a nível internacional". A despesa por aluno no primário e secundário "coloca-nos perto da média da OCDE". Países que gastam "significativamente menos" como a Irlanda, Hungria, República da Coreia e República Checa obtêm resultados "claramente superiores". A democratização do ensino não pode ser causa de baixa qualidade, porque a despesa por estudante não foi tão reduzida que o justificasse. Para uma procura maior houve mais despesa, com o PIB "praticamente a par" da média. A entrada de todos os estratos sociais não fez baixar a bitola, já que, observam os autores, se isso acontecesse, os melhores alunos, os do "grupo que seria imune ao alargamento do ensino", não teria, como se verifica, "piores desempenhos relativos". A média dos 5% de alunos bons "é significativamente mais baixa que no grupo homólogo". Só 4% dos nossos alunos atingiram um nível mais alto na literacia de leitura, enquanto na OCDE a média é o dobro.
Embora a análise reconheça incapacidade para "atrair os professores mais aptos", denuncia o facto de haver muitos docentes que não estão a leccionar, registando-se uma elevada percentagem de professores sem qualificações "apropriadas".
Em salário, os docentes portugueses do básico com 15 anos de experiência ganham o mesmo que os congéneres espanhóis ou franceses, "todos eles com melhor desempenho". "A situação dos professores não se distingue significativamente da maioria dos países desenvolvidos", com Portugal a ocupar a quinta posição na OCDE, com o salário de topo dos professores do básico.
Os autores lembram "a pouca atenção prestada à formação dos professores", ao seu processo de formação, entrada na profissão e exercício. E concluem que continuamos com poucos alunos no ensino e com resultados que deixam "bastante a desejar". Aconselham mais autonomia para as escolas, mais qualidade no ensino dos professores e melhor uso dos recursos financeiros.
Além de não ganharem mal, os professores portugueses têm menos alunos por turma, apesar de as crianças passarem "mais horas" nas salas de aula do que em países onde obtêm melhores resultados. "

6 comments:

pedro silva said...

É uma pena que a econoclasta não tenha lido com atenção e percebido que o estudo destes chico espertos é apenas mais um dos muitos estudos que periodicamente aparecem na comunicação social a defender que os professores são todos maus e que se deveria privatizar o ensino que é, na prática o que aqui é dito.

A expressão: "Mais autonomia para as escolas " é um disfarce para dizer que devem ser privadas.

A conversa de "mais qualidade do ensino do professores" é uma falácia porque a maior parte dos curso de formação de professores são sistematicamente desvalorizados pelo estado e isso é feito de propósito.

A conversa do " melhor uso dos recuros financeiros" é outro eufemismo para dizer que se deve gastar menos dinheiro nas escolas e transferir custos para os encarregados de educação.

Se por artes mágicas os professores ganhassem menos ou seja ao nivel da OCDE e dos países considerados de repente os alunos passvam todos a aprender melhor?
Não creio.
Mas é um "estudo" conveniente para fundamentar a actual política do governo de atacar professores.

Porque é que o Estado não cria um sistema de ensino baseado em aulas praticas À tarde e teoricas de manhã no ensino secundário, obrigando, dessa forma os alunos a passarem o tempo todo dentro da escola a estudar de forma prática e teorica e a não desviarem a atenção para outras coisas?

Dessa maneira os alunos e os malandros dos professores que ganham exageradamente teriam que trabalhar...
Pois ... mas isso custa dinheiro nao é ?
E pede vontade política não é ?
Pois, é uma pena que os autores do estudo não tenham dado essa solução e tenham apenas debitado banalidades

maloud said...

O problema começa na baixíssima escolaridade da maioria dos pais. Digo sempre que é diferente uma criança usar correctamente na fala o presente do conjuntivo, e neste caso o professor só tem de ensinar o tempo e o modo, ao passo que nos outros, e são a maioria, o professor é obrigado a ensinar a falar e só depois, se tiver tempo, passa à caracterização morfológica do verbo.
Estou convencida que todo o nosso falhanço vem da incapacidade do domínio da língua e da sua compreensão. Já quando dei aulas de Português, há mais de 30 anos, num liceu do Porto, fiquei abismada com as dificuldades de leitura de jovens entre os 12 e os 15 anos. Quando chegavam penosamente ao fim de um período, eram incapazes de descodificar o que tinham lido. Ora hoje parece que a situação só se agravou.

pedro silva said...

MALOUD:
"""Estou convencida que todo o nosso falhanço vem da incapacidade do domínio da língua e da sua compreensão"""

Exactamente.

e-konoklasta said...

Também penso, que em grande parte, a falta do domínio da língua está por muito nesse falhanço. Depois há outros factores, sociológicos e pedagógicos, por exemplo, a falta de disponibilidade ou de meios intelectuais das famílias para acompanharem, pelo menos nos primeiros anos, as crianças nas suas dificuldades e já, com uma transmissão insuficiente da língua materna, à partida. Depois, do ponto de vista pedagógico, penso que os professores não estimulam a curiosidade nem a expressão individual de cada aluno, até por não terem, também, formatação que vá nesse sentido.

maloud said...

Sobre os professores, E-Konoklasta, há de tudo, mas a maior parte dos que conheço estão-se nas tintas para os alunos. Quando vou ao cabeleireiro há sempre umas abéculas a corrigir testes. Aquilo deve sair uma obra-prima!
E para a pequena anedota há dias uma senhora professora, numa livraria, pediu Alice no País das Maravilhas do Oscar Wilde. Quando a menina que a atendeu lhe disse que o Oscar Wilde não era o autor, ela debitou para a amiga que a acompanhava esta pérola: É sempre a mesma coisa! Esta gente nem conhece os livros que vende!
Posta perante a evidência pela tal menina, insistiu que o livro não era aquele. Palavras para quê?!

Filipe Castro said...

Eu acho que voces tem todos razao. Em todo o caso, penso que a raiz do problema e muito mais funda e vai ate ao seculo XVIII, ate ao marialvismo, que foi uma reaccao violentissima da direita catolica e aristocrata ao iluminismo e ao progresso.

E as vezes as coisas sao assim, em Franca ganharam os valores da classe media; em Portugal ganharam os valores do clero e da aristocracia. E e por isso que em Portugal a cultura e a educacao e a informacao nao sao consideradas como coisas boas ou uteis.

Os herois portugueses nao sao nunca pessoas cultas. Alias, como dizia o Antonio Jose Saraiva, os portugueses tem uma raiva feroz as elites intelectuais. E e impossivel ensinar alunos que nao acreditam que o conhecimento tem valor, que os vai ajudar na vida, cujos herois sao futebolistas, ou o Valentim Loureiro, ou o Bokasa da Madeira

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