25.5.06

ligações perigosas
liaisons dangereuses

Tudo está mal neste país, há muito tempo. Anda meio mundo a enganar outro meio, o que não é novidade para nenhum de nós. O espectáculo degradante no prós & contras de segunda-feira passada (e só vi a primeira parte, não auentei mais), deixou-nos com a certeza de que tudo vai à deriva e que nem nos informam minimamente. Nem imprensa fiável, nem televisão que se veja. Prefiro ler os jornais estrangeiros on-line e ver outras televisões, e, de preferência ARTE. O que é que querem, sou pedante, felizmente, a bem da minha saúde mental. Há dois dias, neste canal que acabo de citar, pude ver um debate sério e extremamente esclarecedor sobre o que representa, do ponto de vista político e judiciário, o escândalo Clearstream que inquina a classe política em França.
Um pequeno estúdio, um jornalista apresentador, que conheço de longa data, pelos programas a que já pude assistir, nesse canal, há longos anos, um dos irmãos Mamère, dos quais o autarca de Bègles, ecologista, é o mais conhecido pelas suas posições sempre em avanço para a sociedade em que vive. Depois dois jornalistas alemães e dois franceses, entre os quais estava o Jean-François Kahn conhecido pela sua independência e denunciador do pensamento único.
Claro que os jornalistas conhecem os dossiers mas a Justiça segue o seu caminho e muito está ainda por desvendar. O que se sabe hoje de certo é que o namoro, entre grandes empresas, neste caso aeronautica e armamento, com a classe política no poder, é fonte de corrupção e, que todos, sem excepção, esperam o momento de ver aumentar o volume dos seus bolsos. O poder, por todo o lado, corrompe, e poderes há-os, a vários níveis (caso do poder difuso dos média).
Não vou bater mais nos ceguinhos. Fiz a volta dos blogs e todos já bateram que chegue, nos jornalistas e na televisão, até o decote da Fátima teve direito a comentário e eu acrescentava a joia da lapela. Decedidamente, a parolice do formato + da Fátima, e, a desonestidade intelectual dos participantes no prós & contras não tem fim ?
Só quero acrescentar uma nota positiva, acho que de dia em dia o Jornal de Notícias está a melhorar, hoje li alguns artigos interessantes e honestos, pareceu-me.

15 comments:

maloud said...

Deixei de ter o Arte há já algum tempo. Às vezes vejo o programa Ripostes, porque a TV5 o retransmite, e é tudo. Vou estar atenta ao JN {quem diria?!}, porque o Público tem-me deixado meia desconfiada. É mais um feeling, que algo que consiga concretizar.

pedro silva said...

Caro ekonoclasta

Antes de mais as melhoras.

Depois ,excelente escolha com o BB king e a cantora que eu não me consigo lembrar quem é(tracy chapman???)

Quanto a jornais em portugal, esqueça.
Rádio,a TSF, está a começara descambar porque desde há uns 8 meses que tem na estrutura acionista a igreja católica via BCP e já se nota...
O resto geralmente não tem qualidade...

O publico como jornal enquanto lá tiver os josés manuel fernandes e parecidos apenas é a embaixada não oficial dos neoconservadores americanos em portugal.
Esqueça.
Leia mesmo o que se vê e faz em frança; fica mais bem servido.

Quanto às carrilhadas é o normal cá da terrinha.
Um político medíocre que fez por convencer os semi ignorantes militanets do PS que era a supra quinta essencia da política e aquela cambada foi na onda.

À medida que o embrulho se abre percebe-se melhor carrilho.
Percebe-se,pessoas como você e eu.

Quanto aos jornalistas, é um festival de noticias "compradas" por empresas, encomendas apara favorecer posições etc.
E porque não deveria ser assim?
Com a concentração de meiso de comunicação em poucas mãos o resulatdo está À vista.
O governo socialista neooliberal corta isto?
Claroque não.
E vamos andando...

e-konoklasta said...

Essa da rádio, já tinha percebido e estou de acordo com o que dizem em relação ao público.

Quando procurei o BB king não estava anunciado que este cantava em dueto e o nome da cantora não estava anunciado, mas é bem a Tracy Chapman, davinhou Pedro.

hefastion said...

Vai-me desculpar, mas prefiro o livro ao(s) filme(s)....

e-konoklasta said...

hefastion,

Está em pleno direito de perferir o livro ao film, não precisa de pedir desculpa.
Mas qual livro ? o do Carrilho ? e o filme é a farsa do prós&contras ?

hefastion said...

e-knoclasta,

ironizando e fazendo-se desatento....


referia-me a Chordelos de Laclos e a a Stephen Frears.

O jogo de sedução quer do livro, quer do filme, ocorre com uma Marquesa que de todo não é Fátima Campos Ferreira e o sedutor não será nem Ricardo Costa, Pacheco Pereira nem Carrilho...

e-konoklasta said...

Filmes sobre o tal livro, vi pelo menos 3, o de Frears a que se refere, o de Vadim que o situa na "aristocrática" sociedade francesa dos anos sessenta e o de Milos Forman. Também gostei mais do livro.

pedro silva said...

Meus senhores, se me é permitido metr a colherada...

o livro queima à maneira do gelo. frio.muito frio.

Carrilho, costa, barbara e o resto apenas dão pena.Não queimam nada.Apenas se queimam.

emuito boa noite ao som do BB king....e da tracy...

hefastion said...

n vi o filme do Vadim, nem sabia da sua existência.
Qual foi o efeito da "transposição" para a aristrocracia francesa dos anos seesenta? Foi conseguida?
Neste filme já havia um "cheirinho" a Maio de 68?

maloud said...

Vocês são um espanto! Lembrarem-se das Liaisons Dangereuses a propósito da farsa da RTP. Só que na farsa não havia a naïveté do séc.XVIII. Que pena!

hefastion said...

Maloud,

ainda a propósito da independência do Montenegro, convido-a ler no DN on line de 27/05/2006 a opinião de Nuno severiano Teixeira, subordinada ao tema "O fim da Jugoslávia".

hefastion said...
This comment has been removed by a blog administrator.
hefastion said...

Maloud,

naïveté no séc. XVIII?
Com certeza que havia mais do que há agora, mas...
não acha que o Frears e o Milos Forman criaram uma "marquise naïve"?

e-konoklasta said...

Ah ! Tenho vontade de inverter os papeis, vamos rir. Pomos a Fátima em Valmon, o Ricardo Costa em Merteuil (a marquesa), o Carrilho e o Pacheco ficam com os outros papéis femininos, dando preferência do de de Tourvel para o Carrilho. Aqui, a farsa ainda fica mais picante...

Claro que a sociedade do século XVIII não tem nada de naïve. Como em todas as épocas, houve escritores, não ao ponto de Laclos, e que é uma excepção, que transpõe, de forma magistral e perturbante, as relações entre predadores e ingénuos para a esfera privada.

Mas se lermos a utopia de Thomas More, sabendo que se tratava de um exercício de denúncia, inviesada, da sociedade inglesa do século XVI e que Jonathan Swift já tinha feito as mesmas críticas à sociedade do seu tempo, que podemos fazer hoje, sem tirar nem pôr. Há uma excelente frase do Swift no Braganzzza Mothers.

O filme de Vadim não é uma "réussite" desenrola-se ao som da música de Thélenious Monk, interpretado por Janne Moreau, Gérard Philipe et Jean-Louis Trintignant, outras intérpretes femininas menos conhecidas e até Boris Vian. Já vi o filme há algum tempo, acheio um pouco chato e o Vadim muda-lhe o fim, não acaba como no livro. E nem arômas a 68 tem, passa-se no meio burguês (aristocracia industrial)da época, numa estação de esqui (Megève).

maloud said...

Hefastion
Eu já tinha lido o artigo, mas parece-me que o Nuno Severiano Teixeira está a ser um pouco optimista. A Sérvia vai durante muito tempo pagar os delírios do Milosevic. Pobres sérvios!
Quanto às Liaisons Dangereuses só li o Laclos e muito mais tarde vi o filme do Forman. Claro que a marquise não era naïve, mas havia quem o fosse. E quer antes da Revolução Francesa, quer depois, tudo se perdoa e tudo se esquece, menos a naïveté. Os naïfs são sempre trucidados.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...