4.3.08

a condição humana

Há muito que a nossa pequenina realidade me sufoca. Já nem tenho paciência para andar a ler o que os blogues contam sobre as tricas políticas quanto mais os médias. Pausa para decantar, depois de tanto disparate de todos os quadrantes políticos e de todas as classes que ainda dominam este país, e que não querem perder os previlégios que os dominados lhes têm concedido apesar de ignorados e desprezados.

Aqui fica o testemunho de Sebastião Salgado sobre a condição de muitos humanos e a sua esperança um pouco vaga sobre os próximos caminhos que a Humanidade terá de percorrer.

Até breve! Vou ver as coisas mais de perto e voltarei com outros temas. Tenho um poste prometido sobre Luis de Miranda e estou à espera dum livro dele que encomendei e vou dar resposta aos desafios que me foram feitos pela Gi dos Pequenos Nadas e pela Maria do Divas e Contrabaixos para fazer um texto com, pelo menos 12, palavras eleitas.

28.2.08

dois anos de existência virtual

Estive desde domingo à noite sem acesso à web, desta vez foi o adaptador à rede que não aguentou o excesso de peso e tive de ir comprar outro para o substituir. Só hoje pude restabelecer a ligação. Ainda vou a tempo para festejar os dois anos desta estranha forma de vida e agradeço ao Armando Rocheteau, do 2+2=5, a simpatia de nos desejar um feliz aniversário.
Como já algum tempo mo pediam e que andava com vontade de dar umas vassouradas no e-konoklasta... lá foi uma série de tralha borda fora! Pronto, já deve estar mais leve!... já não precisa que o diabo o carregue!!!

19.2.08

memória da Shoa à força

Depois a proposta, de dever de memória, extensível a todas as crianças dos primeiros anos escolares, do presidente Sarkozy, alguns intelectuais dizem-nos o que pensam:
"Et puis surtout, surtout, monsieur le président, avec votre projet vous demandez aux enseignants d'entraîner les enfants d'aujourd'hui dans le malheur des enfants juifs du passé. Bien sûr, il faut parler de la Shoah, mais pas n'importe comment. Il faut donner la parole à Anne Frank, à Primo Levi, aux historiens, aux philosophes, aux témoins, à ceux que le malheur a embarqués dans la rage de comprendre. Notre dignité, c'est de faire quelque chose de la blessure passée, ne pas nous y soumettre et surtout ne pas entraîner d'autres enfants dans la souffrance." Boris Cyrulnyk no le monde

Aproveitando a ocasião relembremos o que se passou com os ciganos:


Comme les Juifs, les Tsiganes ont été victimes de l’idéologie nazie, politique de la race afin de régénérer le sang allemand, et politique de l’espace pour la création d’une grande Allemagne débarrassée des éléments impurs, étrangers, inférieurs. L’élimination des Tsiganes aura d’autant mieux été acceptée, que la mise à l’index était ancienne.
Aucune voix ne s’élève pour défendre la cause des Tsiganes discriminés, stérilisés, persécutés, spoliés, exterminés. Nulle mémoire, nulle indemnité, nulle commémoration. Rien. Le vide absolu. Ostracisme complet. No média cidadão Agoravox.

13.2.08

ma plus belle histoire d'amour c'est vous...
uma mensagem de São Valentim

Ao e-konoklasta e ao Vicentinas de Braganza, trago as bárbaras palavras da águia negra da canção francesa e a sua declaração dum amor, muito particular, que se dirigia ao seu público e que é, para mim, uma das mais belas canções de amor que conheço.

Hoje, ao passar da meia noite, a nossa charanga, a dali da margem esquerda, que vou preenchendo quando posso, com o que posso, e com o que vou enviando ou encontrando no imeem, deve ultrapassar as 100.000 escutas e só aqui ficou definitivamente depois de terem passado algumas charangas temáticas (cinema, rock, canções de amor, canções de revolta).

Portanto, 100.000 escutas atingidas, mais de 366 faixas de CDs de música de todos os géneros e mais de 40 horas de música ininterrupta. Se isto não é amor então o que será? Não é o rendimento mínimo que paga tudo isto e ainda menos os salários obscenos dos nossos dirigentes de empresas públicas que não recebo mas que também vou pagando. Aqui vai a Bárbara, com uma das suas intrepretações únicas e a sua mais bela história de amor:



Aqui podem ver mais, em pormenor, e fazer avançar ou recuar os títulos da charanga da rádio vicentinas. Se, porventura, alguém tem música interessante para continuar a alimentar esta rádio sem notícias nem publicidade, vou criar um grupo no imeem que se vai intitular "Vicentinas" onde poderão inscrever-se e enviar as vossas músicas. Só vos peço que digam coisas, de preferência simpáticas, na caixa de comentários. É o mínimo que vos peço. Não é pedir demais, pois não?

12.2.08

Justiça, democracia, batotas e fetos humanos...

Depois de duas semanas sem acesso à net por incompetência dos operadores, quando prevendo isso tomei algumas precauções mas nem assim... pensava que mudava de burro para cavalo e só mudei de burro para burro, só com a vantagem de pagar alguns euros a menos. Já é alguma coisa. Já dá para o aumento das aveias!... Pois, agora, foi a vez do google me negar a entrada na conta, sem poder fazer login, porque musei o endereço electrónico e lá fiquei cerca de 48 horas sem poder postar e até comentar.

Durante este tempo, entre outras coisas, vi o prós e contras, que desta vez não foi só o habitual prós e prós, de ontem, com que me deleitei nos momentos das intervenções de Manuel Espanha e de um outro interveniente de que não me lembro do nome e que abordou a questão da corrupção referente às operações urbanísticas de norte a sul deste jardim à beira mar plantado... Bem hajam por terem dito o que disseram sobre o estado das artes da Justiça desta democracia. Mais dois que vêm fazer coro com o bastonário Marinho Pinto e dizer o que muitos já viram mas que muitos, em particular as profissões ligadas ao jurídico, os políticos e as profissões ligadas à construção. O rei está nu olhem-no frontalmente!

Também muito me ri, ao ter conhecimento de que Nicolas Sarkozy está mais preocupado com os SMS que vai recebendo ao longo dos dias do que com suas obrigações de presidente. Ao que parece, o seu último e badalado casamento, corre o risco de ser anulado, por se ter realizado à porta fechada no Eliseu e que para ser viabilizado teria de ter sido celebrado de portas abertas ao público. Estou muito preocupada!...

Depois, todas as clamidades do costume, guerras, julgamentos sumários em Guantanamo, inundações que dejalojam os mais ricos do planeta, sida e fome no mundo e em especial no continente mais rico, enquanto se gastam rios de dinheiro nas campanhas eleitorais do país mais pobre do planeta e se fala muito dum Obama, como se, na hora da verdade, os americanos fossem capazes de permitir a chegada à Casa Branca a um democrata cor de chocolate, mesmo se o chocolate tem muito leite... Eu quero enganar-me, mas não acredito que isso venha a acontecer. A ver vamos, como se vão passar as batotas, já habituais, de última hora, que permitiram dois mandatos a George Bush.

E, neste momento de balanço pelo aniversário da despenalização do aborto, a minha atenção diriguiu-se para decisões de justiça e jurisprudências, relativamente ao estatuto jurídico do feto e aos problemas éticos bem complexos associados de, como por exemplo, a partir de quando poderemos considerar que o feto (humano) é, plenamente, um humano, uma pessoa?

10.2.08

a presença extravagante do mundo ou o fim do real



Já tinha visto este vídeo duas vezes, uma no canal franco/alemão Arte, já alguns anos, e depois no youtube, por acaso, por indicação dum artigo no média cidadão Agoravox. Voltei a encontrá-lo esta manhã no blog da Ana Paula e, de repente, relembrei a ideia dum post que não concretizei na altura, sobre como esta reflexão em torno da imagem e do excesso de imagens que nos rodeia, a propósito do trabalho fotográfico de Jean Baudrillard, sociólogo e pensador francês, que tanto escreveu sobre as simulações do real das nossas sociedades hiper mediatizadas.

É neste mundo de imoderação mediática onde a simulação do real no desfile incessante de imagens, em que tudo vale tudo e que tudo nada vale, que sinto a necessidade de me reapropriar do real pela criação de imagens retrabalhadas, recortadas ou moídas, assim como nas experiências de desordem de palavras e de sons, que podem ver no IMAGO e no KALEIDIKON. Uma forma de recriar o real, tão velha como a humanidade, que experimentam todos os artistas nas artes visuais, na literatura, na música e que as novas tecnologias com o acesso à web, dispondo de blogs e de alguns instrumentos para a realização numérica, podem sem pretensões de forma mais ou menos lúdica , mesmo sem uma grande audiência, transmitir, como um reflexo pessoal desse tão simulado real e onde a simulação se erige em verdade extasiante.

Fiz ontem uma descoberta que vai ser objecto do próximo post e tem a ver, um pouco, com o que acabei de contar: CRIAL e CRIALISMO para traduzir o que Luis de Miranda nomeia "CRÉEL" e "CRÉALISME"

"comportamentos inadequados"

Um professor americano de 64 anos em visita a Bruges, porque usava a "kipa", num restaurante da praça principal da belíssima Veneza do Norte, disseram-lhe que não o serviam e que se pusesse a andar. A aventura continuou na polícia local e podem ler mais aqui.

A comunidade judaica da Flandres reagiu emocionamente na medida da particular história de Marcel Kalmman. Nascido em Auchwitz, três dias antes da libertação do campo, escondido pelos companheiros de captividade da mãe, e foi o mais jovem detido libertado do campo da morte.
Estranhos comportamentos inadequados, por essa Europa fora!

7.2.08

nada me surpreende na natureza humana... nem na natureza das audiências dos médias e até da blogosfera...

Em reacção ao último post do Arrebenta, no Vicentinas, aqui vai o comentário que já lá está e o post que aí menciono:


"sempre bem escrito... mas, desta vez, partindo de pressupostos errados.

só precisamos de saber que este caso, como o da pia casa, são as pontas dum icebergue gigantesco que é a nossa jUSTIÇA e o desempenho das nossas polícias... aqui não há nem nunca houve investigação policial, só escutas, leitura de borras de café e de bolas de cristal, no interior das esquadras e, quando são obrigados pela dimensão dos processos a iniciarem qualquer investigação já os vestígios não são senão delírios sem consistência... nestes últimos 8 anos desde que para aqui voltei, infelizmente para mim, fui constatando tudo isto vivendo-o na pele!

e não é justo dizer que tudo prescreve nesta espécie de país. as prisões estão cheias de desgraçados que não podem pagar as multas e as despesas de justiça e isso já o disse o Marinho Pinto... os poderosos continuam a circular na impunidade... dum terceiro mundo bananeiro! (acrescento: é impressionante o silêncio ensurdecedor que se seguiu à entrevista do bastonário e não são as suas insistências sobre as intenções em decapitar o PS que o torna menos credível)...

é absolutamente normal que o Reino de sua majestade defenda os seus súbditos - só num país como o nosso se deixa ao Deus dará a situação dos seus cidadãos que se encontram a braços com a justiça dos países por onde passam! - sobretudo quando as provas que os levam ao estatuto de arguidos são ténues... provavelmente, se o carro serviu para transportar animais mortos, por turistas caçadores, até é fácil encontrar vagos indícios de cadáver... não é a reserva emotiva de Kate ou de Gerry que podem servir de argumento para os incriminar... se neste país, a falta de lágrimas fáceis é logo índício de qualquer coisa, nos países do norte, a partir de Poitiers para cima, as pessoas tem outra educação que os latinos e não manifestam certo tipo de sentimentos e não quer dizer que não os tenham... estava eu bem tramada, numa situação semelhante, seria logo inculpada, porque não verto lágrimas de crocodilo... tive uma educação e uma experiência de vida muito diferente da maioria dos tugas!... em vez de chorar, insurjo-me, barafusto, protesto, mas não sai uma lágrima! até caír sem forças!

continuo com a mesma posição de quando aqui postei, há dois ou três meses, para dizer que tudo isto estava mal alinhavado e que não contassem comigo para fazer coro contra os pais de Madeleine, é insuportável a procura demagógica de audiências, tanto nos médias como na blogosfera.

devíamos era preocupar-nos e debater sobre o estado da jUSTIÇA e das polícias desta espécie de estado de direito em liquefacção... nisto temos todos responsabilidades, uns mais outros menos e até tenho algumas tristes histórias a contar sobre o que é a jUSTIÇA para o cidadão comum... o resto só são excepções que confirmam regras!"

O post citado:
NADA ME SURPREENDE NA NATUREZA HUMANA...
...nem que os pais da pequena Madeleine sejam agora alvo da suspeita de homicídio involuntário e ocultação de cadáver da sua própria filha, nem que a polícia portuguesa, tenha agora dado relevo a indícios frágeis, para se descartar de acusações de insuficiências no modo como conduziu as investigações desde o início.
Mesmo que, casos como este, não sejam regidos pela lógica, parece-me muito pouco lógico e provável que um pai e uma mãe com o nível de formação humana, moral e académica, não tendo em conta as suas posições sócio-económicas porque estas não são garante de nada, tivessem ocultado, durante tanto tempo, o cadáver da criança se, porventura, um acidente simples ou por negligência lhe tivesse causado a morte.
Se a versão do casal tem algumas lacunas e incoerências, as versões da polícia, com as sucessivas declarações públicas - que muito me incomodaram devo confessar - me parecem mais um jogo de defesa de uma credibilidade muito fragilizada, basta ver o que se tem passado em investigações anteriores de casos de desaparecimento de crianças ou no caso Casa Pia.
O que é insuportável é toda esta mediatização do caso, e os McCanne só estão a ser vítimas do movimento que eles próprios desencadearam, mas, os médias não recuam perante nada para avivar as fogueiras dos julgamentos em praça pública. Os interesses económicos das audiências dos médias e das vendas de jornais agradecem. Os portuguesinhos comoveram-se com a desgraça que caíu numa família tão católica e com ela partilharam as orações para que a criança fosse encontrada sob a protecção de DEUS, agora, e sem provas consistentes que incriminem aqueles pais, vociferam acusações e insultos à passagem dos mesmos, sem que existam acusações formais contra eles, e, que muito provavelmente nunca existirão, quer tenham ou não cometido o crime de que são suspeitos.
Como já disse, nada me surpreende na "natureza humana", da mesma forma que não acredito na eficiência da nossa Justiça e muito menos na competência das nossas polícias, não por princípio, mas, pelo que vou observando à minha volta e experimentando na realidade. Não acredito nem deixo de acreditar no que dizem uns e outros, vou ouvindo, mas não contem comigo para fazer coro com os que procuram fazer julgamento na praça pública.
adenda: como diz o Daniel no Arrastão "Os tablóides, jornalistas e “especialistas” que participaram no linchamento público dos pais devem se identificados pelos seus próprios leitores/ouvintes/telespectadores para que a partir de agora sejam lidos, ouvidos e vistos com a enorme reserva que merecem. Não é o primeiro nem o segundo caso em que cumprem este triste papel: o de inventar quando não sabem o que dizer. E não será o último. São um cancro na comunicação social e na democracia. Só leitores informados, que se recusem a dar crédito a quem não o merece, os podem neutralizar." (estou totalmente de acordo com tudo o que lá está escrito, é só barracas, tanto no caso da PJ como dos médias).

30.1.08

pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim própria

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergo aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que a outra, mas sempre mais as que estou vendo.

Alberto Caeiro


Depois de 10 dias de abstinência em relação à minha netdependência, por ter mudado de burro para burro em matéria de fornecedor de ADSL, em visita à Gi e aos seus pequenos nadas, reli este poema de Pessoa que corresponde ao meu estado de espírito de hoje.

Embora esteja danada com mais incompetência dos profissionais que trabalham para estas empresas que pensam ter todos os direitos e ter perdido a possibilidade de editar os três posts que já estavam alinhavados, fora uma série de outros inconvenientes mais o tempo perdido para encontrar uma solução, por já estarem desactualizados, ainda consigo ver a beleza que por aí circula...

19.1.08

um país à deriva e sem grandes possibilidades de conserto...
aqui a CML, mais adiante, muitas outras câmaras e camarilhas!

"Mais de 41 milhões de euros foi o prejuízo sofrido por Lisboa com a permuta de terrenos entre o Parque Mayer e a Feira Popular.
O grande beneficiado foi a empresa Bragaparques, que deixou de pagar mais de nove milhões em taxas municipais. Também não pagou 1,1 milhão por ter ilegalmente exercido o direito de preferência na hasta pública da permuta de terrenos, enquanto Lisboa abriu mão de 31 milhões em indemnizações, pagas à fundação “O Século” e aos feirantes da Feira Popular." Tudo aqui.

As acusações são do Ministério Público, que, no despacho ontem entregue ao ex-presidente da Câmara Carmona Rodrigues e aos ex-vereadores Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão, considera que aqueles agiram de forma consciente. Cometeram o crime de participação económica em negócio, dizem os magistrados, depois de terem agido “com o intuito de beneficiarem indevidamente a sociedade Parque Mayer SA”.

Última hora: "O Ministério Público encontrou um donativo de 20 mil euros dos sócios da Bragaparques para a campanha do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, em Outubro de 2005, durante a sua investigação ao negócio do Parque Meyer/Feira Popular. No entanto, o MP decidiu instaurar um inquérito autónomo, que vai realizar-se agora.

O donativo “foi feito através de um cheque de um director financeiro da Bragaparques, Hernâni Portovedo, tendo-se apurado que o dinheiro veio dos sócios da empresa, Domingos Névoa e Manuel Serino”." Tudo aqui.
No outro dia foi a vez de Helena Roseta, que bem fez em continuar independente, para nosso bem, dizer que os conluios no interior da Câmara, nestes últimos anos, eram o pão nosso de cada dia e os pratos circulavam a toda a hora e para o proveito de muita gente. Tudo podre! meio mundo (os portugueses) a enganar outro meio (os outros portugueses), por todo o lado, é o que tenho visto desde que voltei para esta terra maravilhosa... de gente maravilhosa, sincera e hospitaleira... eu limpava-lhes as caras de pau do cinismo e da hipocrisia! tudo gente muito séria!

a ex-chefe militar de Abou Grahib insurge-se...
mais vale tarde que nunca!

Um belo olhar azul, apesar de implacável, e um nome de vedeta internacional, Ianis Karpinski, depois de todos os escândalos ligados à prisão de Abou Grahib, e que depois dos verdadeiros responsáveis terem sacudido a água do capote para os mais expostos nas fotografias que lançaram a polémica, passou à reforma, para poder testemunhar sobre o que realmente ali se passou.

Para ler no
lemonde de hoje um longo artigo de onde vem este excerto:

"SAUVER L'HONNEUR - Au cours des auditions devant la cour martiale, les soldats d'Abou Ghraib ont tenté de se retourner contre les officiers du renseignement. Toutes leurs démarches ont été rejetées. Janis Karpinski n'a pas cédé. Sanctionnée, elle a pris sa retraite pour conserver son "droit de parole" et tenter de sauver son honneur. Depuis, elle intervient dans des meetings opposés à la guerre. Et s'associe à des plaintes pour "torture" contre l'ancien secrétaire d'Etat à la défense Donald Rumsfeld. Dernière en date : la demande d'ouverture d'une information judiciaire le 25 octobre 2007, par la Fédération internationale des droits de l'homme et le CCR.

La plainte, déposée depuis Paris, a été rejetée en novembre. Qu'importe. Les associations des droits de l'homme ont décidé de continuer depuis l'Espagne. Cette plainte repose sur vingt-sept pièces et témoignages, dont celui de Janis Karpinski, qui dénonce explicitement les pratiques de la tiger team du général Miller envoyée par Rumsfeld en Irak. Pourquoi le sien ? "En perpétrant la torture, dit-elle, nous sommes descendus au même niveau que Saddam Hussein. Il existe une tradition de dictature et de cruauté au Moyen-Orient, que la population connaît. Mais elle ne comprend pas que nous, les Occidentaux, devenions des tortionnaires. En le faisant, nous trahissons les démocrates de ces pays, nous justifions tous les dictateurs qui emprisonnent et torturent au nom de la sécurité nationale. Nous bafouons toutes nos valeurs."

agredecimentos ao le monde por continuar a informar condignamente.

15.1.08

de volta com a sua cauda desértica...The Comeback Continent

Ao que parece, a Europa está muito melhor do que pretende transmitir o discurso dominante nos Estados Unidos nestes últimos tempos de campanha eleitoral, explica o economista Paul Krugman no New York Times:

"Why should Americans care about Europe’s economy? Well, for one thing, it’s big. The G.D.P. of the European Union is roughly comparable to that of the United States; the euro is almost as important a global currency as the dollar; and the governance of the world financial system is, for practical purposes, equally shared by the European Central Bank and the Federal Reserve.

But there’s another thing: it’s important to get the facts about Europe’s economy right because the alleged woes of that economy play an important role in American political discourse, usually as an excuse for the insecurities and injustices of our own society.

For example, does Hillary Clinton have a plan to cover the millions of Americans who lack health insurance? “She takes her inspiration from European bureaucracies,” sneers Mitt Romney."

Continua e vale a pena ler todo o artigo aqui. Sugestão de leitura de Transnets do amigo, um pouco mais que virtual, Francis Pisani.

12.1.08

l'origine du monde, le deuxième sexe et Beauvoir

Passaram as comemorações do centenário do nascimento de Simone de Beauvoir, vi e li muita coisa por aí com mais ou menos interesse, mas lembrei-me de dois textos que me ficaram na memória muito mais interessantes que o que se viu nestes últimos dias.
Li o "segundo sexo" já no fim da adolescência e não guardo grandes recordações da leitura que tanto chocou o conservadorismo da sociedade da época em que foi editado. Nessa altura, estava mais preocupada com o conservadorismo que me sofocava, vinte anos depois da edição do livro, e que me impedia de viver uma vida equivalente à do primeiro sexo, no concreto e não, por procuração, em leituras.
Cruzei, algumas vezes, nesses anos (iníco da década de setenta), o casal Beauvoir/Sartre, nas ruas de Paris, tanto para os lados de St.Germain, como em manifestações políticas, mas pareciam-me mais representantes dum mundo já ultrapassado. Hoje, acho que o livro, tão polémico do "Castor" como lhe chamava Jean-Paul, consegue ter alguma actualidade, face aos poucos e pequenos passos que têm sido dados para que uma verdadeira igualdade, com as suas diferenças inegáveis e que não pretendo ignorar, de opções de vida e de oportunidades em todos os campos, para esse ainda segundo sexo.

O primeiro texto de que me lembrei é de Pierre Assouline e do seu blog, de 2004:

"Actualité du Deuxième Sexe - A la veille de l’année Sartre, il y aurait urgence à évoquer Simone de Beauvoir car elle risque fort d’être reléguée au second plan. Parler non de la compagne-du-philosophe, ni de l’amante-de-Nelson-Algren, ni de la prof-débaucheuse, mais de l’auteur d’un livre fondamental tant il fut un livre fondateur et demeure le livre le plus cité du féminisme moderne: Le Deuxième sexe.

On n’a pas idée aujourd’hui du scandale que provoqua en 1949 la prépublication d’un de ses chapitres par Les Temps modernes, puis la publication des 958 pages de cet "essai sur la situation de la femme" par Gallimard. Pour s’en faire une idée, on peut se plonger dans deux ouvrages qui viennent de paraître grâce à l’obstination d’une universitaire qui, depuis des années, mène en Allemagne des recherches rigoureuses et indispensables sur les oeuvres de Sartre et Beauvoir. Elle s’appelle Ingrid Galster et elle est professeur de littératures romanes à l’Université de Paderborn.

Le premier, publié par Honoré Champion, rassemble les contributions d’une quarantaine de spécialistes (Kate Millett, Françoise Héritier, Elisabeth Badinter…) réunis en colloque; le second, paru aux Presses de l’université Paris-Sorbonne, reproduit le dossier de presse du livre (notamment la fameuse enquête de Mauriac et les échos qu’elle a suscités, ainsi que les critiques de Roger Nimier, Maurice Nadeau, Julien Gracq, Emmanuel Mounier, Françis Jeanson, Dominique Aury…)

S’immerger dans ces pages, ce n’est pas seulement se plonger dans une époque. C’est prendre la mesure du chemin parcouru dans l’histoire des moeurs et des mentalités. Des sujets tabous se retrouvaient dans le discours public: songez que l’auteure (comme on ne l’écrivait pas alors) y évoquait des notions telles que "sensibilité vaginale", "spasme clitoridien" et "orgasme mâle", et vous imaginerez sans peine qu’un Mauriac ait réagi en dénonçant son "abjection" et que livre ait fait l’objet de polémiques. Et de débats d’autant plus féconds que les plus lucides commentateurs, qui étaient aussi les plus jeunes, avaient conscience de vivre une période de transition.

Le succès du livre fut immédiat et son impact profond et durable. La manière de Beauvoir apportait un ton nouveau pour l’époque, que ses détracteurs balayèrent d’un méprisant "vocabulaire d’agrégée". Mais de quoi s’agissait-il au fond? De dire que "la femme" est un produit élaboré par la civilisation. A la fin des années 4O, c’était révolutionnaire. Un peu plus d’un demi-siècle a passé mais, signe des temps, si l’on en juge par la vivacité de l’anti-féminisme et du machisme, les idées du Deuxième sexe n’ont pas tout perdu de leur audace."
"Dès sa sortie en 1949, Le Deuxième Sexe fait bruyamment parler de lui. Les grandes revues intellectuelles lui consacrent leur chronique littéraire. Les quotidiens ouvrent leurs colonnes à des dizaines d’articles et de comptes rendus, souvent signés par de grandes plumes : François Mauriac, Julien Benda, Julien Gracq, Emmanuel Mounier, Roger Nimier, pour n’en citer que quelques-unes. L’affaire occupe pendant quelques mois la « une » des préoccupations intellectuelles des comités éditoriaux. Rarement un livre écrit par une femme sur les femmes aura suscité tant de débats passionnés.

C’est que Simone de Beauvoir met sérieusement à mal quelques-uns des consensus sacrés de son temps. Depuis les années 30, une politique familiale et maternaliste d’une ampleur jamais égalée se construit patiemment en France. Les allocations familiales, l’allocation de salaire unique, les prêts au mariage, le quotient familial et une myriade d’autres mesures tentent de redresser une natalité durablement effondrée. Le baby-boom, exceptionnellement vigoureux, n’apaise pas toutes les craintes et renforce encore l’idéal de la mère au foyer, éducatrice-née d’une famille qu’on espère nombreuse. De la gauche communiste jusqu’à la droite, le natalisme règne en maître sans contestation aucune depuis que les néo-malthusiens, durement censurés, ont disparu de la scène publique. Et voilà que Simone de Beauvoir met en miettes toute cette belle mythologie de la maternité. Elle commence son chapitre « La mère » par un plaidoyer de quinze pages en faveur de l’avortement libre, elle dénie toute existence à l’instinct maternel et finit par dévaloriser brutalement la fonction maternelle qui, selon elle, aliène les femmes. Les chapitres sur « L’initiation sexuelle » et « La lesbienne » attirent tout autant les foudres d’une société puritaine qui n’avait pas encore envisagé l’éducation sexuelle. "
A segunda imagem representa a tela de Gustave Courbet, "l'origine du monde", de pequenas dimensões, pintada no fim do século XIX e que tantas aventuras viveu e de que tantas controvérsias foi alvo.

"o amor é um previlégio da idade" Edgar Morin
e para poucos, acrescento eu...

Vou acabar por desinteressar-me, completamente, pelo que se passa neste país. Devo ver quatro horas de televisão por semana nas quais se compreendem alguns minutos do jornal do canal dois das 22 horas, algumas, nem todas, as emissões de "câmara clara" e dois ou três filmes por ano - detesto ver filmes na televisão e os poucos que não vi, que me interessam, não passam - a informação escrita é uma miséria, sem qualquer interesse. Blogs, poucos, e com pinças, muitos retomam as agendas e correm as opiniões dos outros, para afirmarem as suas próprias , como se fosse importante... do que precisamos realmente é de informação e debates sérios e não de opiniões.

Procuro e encontro algumas coisas que me interessam nos médias francófonos, sim, porque, este fascínio exercido pela cultura e médias anglo-saxónicos, não só é monomaníaco como insano. Sou pela pluralidade informativa e linguística, mas, lamento, já não suporto esta atitude, provinciana de subserviência, de se gargarizar por todo o lado, e insistentemente, com os anglicismos mal digeridos, sob pretexto de não sei quê, mais do que provavelmente por pedantismo, quando existem palavras da nossa língua capazes de designarem o que esses vocábulos impõem ao mundo inteiro que se designe...

Ora, nestes últimos tempos, nesses mesmos médias francófonos e em particular franceses, veio a lume, depois da tão badalada união mais ou menos de facto ou de mais ou menos conveniência para a eventual futura princesa consorte, até já se falou de contrato de alto preço - talvez por isso o Sarkozy tenha feito com que fosse multiplicada por dois, a sua remuneração de presidente, de forma tão apressada e contestada - o discurso televisivo de passagem de calendário de Sarkozy preparado ao que se sabe pelo seu chefe de gabinete Henri Guaino, e que bastante polémica tem desencadeado, pela evidenciação da desonestidade intelectual que demonstrou, e já não falo da desonestidade política, porque, cada vez mais, é pleunasmo.

A lufada de ar fresco em política, como aí pela nossa blogosferas alguns o qualificam, Sarkozy, no seu discurso, teve o atrevimento de citar, sem o nomear, Edgar Morin, ao fazer um apelo para uma "política de civilização" e só os incautos acharam que se tratava de uma declaração de peso para uma futura política . Os outros caíram-lhe em cima e até teve que pedir ao pensador para o ir ver ao Eliseu. O que se passou depois é para rir às gargalhadas!

Para continuar a tentar perceber o que se passou, aqui vai um excerto dum artigo do lemonde de hoje:
"Lundi, Edgar Morin est parti tranquillement pour l'Elysée. Nicolas Sarkozy et sa "plume" Henri Guaino l'attendaient dans le bureau présidentiel. Quelques jours auparavant, le 31 décembre, le chef de l'Etat avait affirmé, dans ses voeux aux Français, sa volonté de mettre en oeuvre "une politique de civilisation". Et pour tout dire, l'auteur de ce concept, de gauche "depuis toujours", n'était pas certain que le président connaissait le contenu de la formule qu'il avait piratée."
"Quand Henri Guaino “plagie” Edgar Morin - Y a-t-il dans la salle quelqu’un qui ait suivi à la télévision la cérémonie des voeux du président de la République et qui soit capable de nous expliquer ce qu’il a bien pu entendre par “politique de civilisation” ?"
e um comentador responde: "Attention Passou, pour moins que ça Riton a traité BHL de “petit con”.
@Decryptor, parmi les usages de Sarkozy vous avez oublié de citer la prière, car il est croyant et prie. Et veut redonner aux valeurs religieuses leurs lettres de noblesse. On se demande bien pourquoi il déplaît tant à ML. Sarko n’a aucun principe, aucun scrupule, pour lui tout est à vendre et tout s’achète. Il s’est déjà acheté Benhamou, Attali, Kouchner, Amara et Hirsch (Besson y compte pas, il trahi haut et fort) et Lang attend qu’il y mette le prix. Pas exactement Morin
." Lúcidos estes gauleses!

Esclarecidos, ou tenho que vos fazer um desenho ? o de lá de cima é de Francis Bacon com o título "estudo de corpo humano".

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