6.1.07

OESTE BRAVIO MUITO BRAVO
BRAVO!

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Campeão tradicional das causa da FOX, sem nada que o preocupe, José Manuel Fernandes encarnicou-se durante o mês de Dezembro na defesa das árvores de Natal, dos presépios e das iluminações natalícias com símbolos religiosos (Nossas-Senhoras feitas com lâmpadas, sempre lindíssimas, como se sabe, sem as ruas de Lisboa empalideceriam sem solução).

Ateus e nihilistas como eu poderiam pensar que talvez valesse a pena discutir outras coisas: como a economia está numa situação miserável, o desemprego altíssimo, a desigualdade continua a aumentar, a dívida externa tem proporções bíblicas, os empresários revelaram-se um bando de ladrões desalmados, o parlamento é um sinédrio de malfeitores onde cada um tenta amealhar o que pode sem preocupações morais, ideológicas ou outras, 35% dos portugueses declararam que querem ser espanhóis, o ensino é um fracasso retumbante, as estradas matam mais pessoas do que em qualquer outro país do mundo, a justiça só pune os pobres... e seriam precisas aqui seis horas para enunciar o resto das misérias nacionais, das quais uma das piores é de certeza a qualidade dos jornalistas e do jornalismo.

Mas para José Manuel Fernandes o problema que mais aflige o país, que mais ameaça dissolver a cola social e mergulhar Portugal no caos baço do nihilismo, que mais insulta a generosidade católica dos portugueses (eloquentemente demonstrada para com os iraquianos, por exemplo, com a nossa participação na coligação da invasao), é a Guerra ao Natal.

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post de Filipe, a ler na íntegra, assim como outros, no seu blog OESTE BRAVIO

incenso de reis

Democracia em peso no Congresso Americano
com um estilo marcadamente feminino

Nancy Pelosi, primeira mulher a ocupar o cargo máximo no Congresso americano, dominado pelos republicanos durante 12 anos, depois da vitória dos democratas, o terceiro lugar mais importante depois do presidente e vice-presidente. Novas medidas de política interna como externa em perspectiva!
Para já, medidas de combate à corrupção, denunciadas e apontadas à maioria republicana derrotada. Prevista, também, a actualisação do salário mínimo que já não é actualizado desde 1997. Em estudo, a criação de um serviço nacional de saúde que não existe nos Estados Unidos.

Aqui o vídeo do "le Monde".


5.1.07

o Governo só tem o que merece... mais contestação!

fotomontagem do Kaos do WeHaveKaosInTheGarden
O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) não se conforma com o fim do regime fiscal mais favorável para os desportistas. Joaquim Evangelista, presidente do sindicato, admite mesmo fazer “parar o futebol”. “Já vimos que o Governo não tem sensibilidade para o tema, mas ainda assim vamos apresentar as nossas reivindicações. Se isso não vingar vamos mobilizar os jogadores e partir para uma greve geral”.
no Correio da Manhã
Pois, por mim, façam greve mas para sempre, para ver se se acaba com o futebol profissional e com as calamidades a ele associadas, entre as quais, a corrupção e o tráfico de influências. E esperar que desapareçam de vez os Loureiros, os Pintos, a Carolina ó ai meu bem e os pitos dourados. Que limpeza que era... Pois façam greve, o país agradece... se não agradece, agradeço eu!

ainda voos da CIA:
"coisas estranhas" nas Lages

Afinal, nada é estranho nem nada me surpreende nesta embrulhada dos voos da CIA. No público de hoje, a deputada Ana Gomes afirma, que se passaram e se passam "coisas estranhas" na base aérea das Lages que indiciam a passagem de voos da CIA pelos Açores: "Houve contactos com outras pessoas da ilha que confirmaram relatos sobre coisas estranhas que se passaram na base, nomeadamente a transferência de pessoas agrilhoadas, que confirmam os elementos que possuímos" e acrescentou: "Se isto é possível nas nossas barbas, para o trânsito de prisioneiros, se calhar também é possível para a criminalidade vulgar, como o tráfico de droga ou crianças, com recurso a um qualquer avião fretado".
Tive oportunidade de ler, na imprensa séria internacional, artigos que evocavam o testemunho de europeus de diversas origens, que foram detidos, de forma expeditiva, pela CIA, e que diziam que os aviões fretados escapavam a qualquer controlo a custo de luvas chorudas dadas a funcionários das bases e aeroportos por onde passavam. Por cá, a lendária desorganização associada às ditas "gorgetas", fizeram a cortina de fumo que nos impede de descortinar este mistifório. Pouco a pouco, muitos detidos, sem provas, em Guantanamo, vão saír, e muito daquilo que só se suspeita vai acabar por se saber, disso não tenho dúvidas.

4.1.07

ainda o envelope 9
ou como confiar na confidencialidade dos nossos dados informáticos

Quem é que nos garante que as nossas informações confidenciais pessoais contidas no futuro cartão único, não serão divulgadas a qualquer um e de qualquer maneira? Leiam as declarações, de uma técnica de informática da PT, feitas hoje no Parlamento e no seguimento do caso do envelope 9:

"Ouvida no Parlamento Envelope 9: técnica da PT diz que "é normal" juntar dados de telefones
04.01.2007 - 15h25 Lusa

Uma técnica de informática da Portugal Telecom (PT) disse hoje, no Parlamento, que "é normal" o seu departamento juntar dados de telefones da mesma conta em ficheiros Excel, em resposta a pedidos de informação internos, como aconteceu com o chamado envelope 9.

Ana Paula Fernandes foi a técnica da PT que em 2003 recolheu os dados telefónicos e introduziu um filtro no ficheiro Excel que viria a constituir o chamado envelope 9, anexo ao processo judicial da Casa Pia.

Ouvida hoje na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar sobre o envelope 9, Ana Paula Fernandes relatou ter recebido um pedido interno de facturação detalhada de apenas "um número de telefone pertencente a uma determinada conta", num período de tempo.

Contudo, a funcionária do departamento de sistemas de informação da PT salientou que só podia fazer a recolha "de toda a informação daquela conta cliente" porque os dados são acessíveis sempre a partir "do número de cliente".

Questionada pelo deputado do BE Fernando Rosas sobre se "é normal atrás de um número virem outros", Ana Paula Fernandes afirmou que "era normal e é normal" e que na altura "não sabia se precisavam da informação de outros números de telefone daquela conta".

"Não sabia a que se destinava a informação. Imagine que era para um cliente fazer a reclamação da factura", justificou. "Extraí toda a informação da conta cliente, não tenho outra forma de extrair aquela informação", acrescentou.A informática contou que respondeu ao pedido do "back office", enviando por email um ficheiro de Excel, como sempre fazia e faz, com um filtro "para mostrar de imediato o número de telefone que foi solicitado", ocultando os outros telefones daquela conta."

no público de hoje
Parece impossível... Ponham-se a pau!


Muito independentes entidades reguladoras

Encontrei este artigo de opinião no "jornal de negócios" que diz tudo o que já pensava sobre o assunto e que ainda não tinha lido em lado nenhum...
Entidades reguladoras independentes
João Ferreira do Amaral
"Para lá de todos os aspectos mais ou menos mediáticos e mais ou menos rocambolescos, a questão da demissão do presidente da ERSE levanta questões muito importantes do ponto de vista da governação e do entendimento do que deve ser o funcionamento de um regime democrático.

A principal questão é esta : deverão existir e, em caso afirmativo, qual deverá ser o papel de entidades independentes intervenientes em questões de governo?

Ninguém discute que num estado de direito democrático o poder judicial deverá ser independente. Mas quanto a questões que têm a ver com o governo, ou seja, com o poder executivo, aí o problema é muito mais complicado.

Muitos consideram que as entidades independentes devem ter poderes de decisão vinculativa para os cidadãos. A justificação desta atribuição de poderes é, à primeira vista, razoável. De facto, um dos problemas de funcionamento de um regime democrático é aquilo que muitas vezes é designado como a sua miopia temporal. É natural que assim seja. Dada as alternâncias de poder, é compreensível que os governos tenham como prioritário o curto prazo, assim pondo muitas vezes em causa pela sua acção os interesses de mais longo prazo do seu país. Por outro lado, é saudável que um governo tenha alguns limites, não só na actividade legislativa, mas também na governação do dia a dia nomeadamente para o impedir de usar demagogicamente o seu poder para ganhar eleições muitas vezes, de novo, em prejuízo das gerações futuras.

Dito isto, lamento dizer, mas não concordo com esta posição, embora reconheça que o problema existe. Mas a forma de o resolver não é atribuir poderes de decisão, que em última análise é decisão política, a entidades que não respondem perante ninguém. Uma regra de ouro do regime democrático é a da responsabilização: quem toma decisões políticas deve ser responsável perante o eleitorado. e por isso não pode ser uma entidade independente que não responda perante ninguém. É por esta razão que, por exemplo, tenho sido sempre contra a independência da política monetária e do Banco Central Europeu. Mas então o problema da miopia? Uma forma de minimizar este problema é instituir entidades independentes, mas sem poder de decisão. Ou seja, as entidades independentes devem, para os domínios de governação para que forem criadas, ter como missão dar parecer fundamentado sobre as opções de política que estiverem sobre a mesa relativas a esses domínios. Esse parecer deve ser obrigatório, isto é, não deve poder haver decisão sem ele ser elaborado e amplamente publicitado, o mesmo é dizer, conhecido pelos cidadãos. Porém, não deverá ser vinculativo, ou seja, a decisão final deve ser sempre do governo. Esta forma de estabelecimento de entidades independentes permite manter o princípio da representação democrática e ao mesmo tempo dificultar (embora não impedindo totalmente, mas esse é o risco da democracia e de qualquer outro regime político) a utilização demagógica do poder em domínios de grande importância, em particular para as gerações futuras.

Por isso, quanto a mim, o Governo esteve no seu pleníssimo direito de estabelecer uma aumento de tarifas para a energia eléctrica diferente do proposto pela ERSE. Se fez bem ou mal isto é, se o país ganha em ter esse aumento de tarifas em vez do outro, é questão que o eleitorado não deixará de avaliar quando houver novas eleições. Por mim, considero que o governo fez bem."
Nesta matéria o Governo fez bem e eu não me queixo!

3.1.07

a lucidez...

escultura do alemão Igor Mitoraj em Sevilha

sem pessimismo nem optimismo, lúcidos...

pobreza zero - fotografia de Mário Príncipe

Não me dei ao trabalho de perder o meu tempo a ver e ouvir os discursos de Cavaco e de Sócrates. O televisor que tenho em casa, adquiriu estatuto de jarrão das Caldas baratucho, para onde já não olho, tanto é o mau gosto e a má qualidade daquilo que nos "oferecem". Portanto, o que e quando o disseram, não sei. O que sei é que não faltou quem tivesse glosado tais patranhas com direito a horário nobre na "hedionda lanterna mágica" mas, o que é certo, é que, tanto os discursos como a sua glosa, não modificaram em nada a realidade com que nos confrontamos, e não vale a pena fingir que não a vemos.
Agora, sem pessimismos ou optimismos exagerados, temos de olhar, com alguma objectividade e lucidez, a nossa verdadeira situação económica e social, a grande fragilidade da consolidação orçamental do Governo e da fraca taxa de crescimento, para não falar duma inflação mantida com a contenção dos salários mais baixos. A margem de manobra é muito pequena, seja qual for o Governo ou o Presidente, mas, isso já toda a gente começou a perceber, portanto, 2007 será mais um ano em que o país e todos nós, uns mais e outros menos, avançaremos sobre a corda bamba, e não serão os partidos de oposição que nos permitirão garantir alternativas, sem caír na demagogia.
Nem todas as soluções estão nas mãos dos governantes. Muitas medidas necessárias, passam também pela vontade dos nossos empresários e pela nossa capacidade de compreender, de agir e de exigir... sim, exigir qualidade para tudo, a começar pelos programas da nossa televisão, e isenção para nossa informação. É só pedir aquilo a que temos direito! Não é pedir o impossível!
Bom ano 2007 se puderem!

numa Europa a 25+2 com euro a 13

desenho publicado no último Charlie Hebdo e que traduzi
(agora subsistuam francos por escudos)

1.1.07

31.12.06


a cinemateca e-konoklasta

"a ignorância é a mãe da estupidez"e-konoklasta
ou, o que o Bush não leu, não viu, não sabe!
em véspera de dia da Paz, relembremos...

klikem nos beduínos pálidos e entrem na história pelo mito

o da esquerda é T.E.Lawrence


Na véspera do dia da Paz, dia que sucede à execução de Sadam Hussain, tempo em que se fazem votos da felicidade e de concórdia, para os que nos estão próximos e para o mundo, onde se teima em semear ventos... como teimamos em viver na paz podre a que nos obrigam as condições de vida, que governantes e gestores, de toda a espécie, "democraticamente" nos impõem. A lista das cangas, que é infindável, sabendo que uns sentem-lhes mais o peso do que outros... sendo evidente que, com salários e pensões de miséria, para não falar dos que não têm nada de nada e esperam longos meses por um rendimento mínimo de inserção duvidosa, dignos dum país no fim do rabo da Europa, suporta-se menos os preços, e para mais os aumentos, de energias, de alimentação, de custos bancários, etc., praticados nos outros países do topo da cabeça da mesma Europa. Mas adiante que se faz tarde!
Pois, as perspectivas de Paz no mundo, e, em particular, no Médio Oriente e Golfo Pérsico, não são muito boas e, não me parece que o enforcamento do ditador iraquiano venha contribuir para apaziguar a região, a ver vamos! Lembro-vos, então, que esta história já dura há muito, e que há quase um século, Thomas Edward Lawrence, viveu, de corpo e alma, a revolta dos árabes contra o Império Otomano, sonhou e fez sonhar o mundo árabe, com eles bateu-se contra esse domínio, contra os interesses britânicos e ocidentais.
A fragilidade da região padece, ainda hoje, do aniquilamento dos sonhos e esforços feitos nesses tempos de revolta. Lawrence deixou um livro, os "Sete Pilares da Sabedoria", muitas cartas e artigos, premunitórios sobre o que hoje se passa pelas Arábias. Em 1917, Aurens (assim era conhecido pelos árabes) escrevia: "mais vale deixar os árabes fazer as coisas de forma aceitável que serem vocês a fazê-lo na perfeição. É a guerra deles, ajudem-nos, mas não para ganhar por eles".
Há 45 anos, David Lean mostrou-nos o mítico Lourenço da Arábia e este epísódio da História esfumou-se, um pouco, por detrás do som das areias das dunas fustigadas pelo vento e pela inesquecível música de Maurice Jare. Se tiverem oportunidade, vejam o filme com atenção.
O Sadam já foi enforcado, agora, desejo ao Bush um lindo enterro nas próximas eleições!
Bom Ano, Paz e Justiça para os Homens de Boa Vontade!

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