4.1.07

Muito independentes entidades reguladoras

Encontrei este artigo de opinião no "jornal de negócios" que diz tudo o que já pensava sobre o assunto e que ainda não tinha lido em lado nenhum...
Entidades reguladoras independentes
João Ferreira do Amaral
"Para lá de todos os aspectos mais ou menos mediáticos e mais ou menos rocambolescos, a questão da demissão do presidente da ERSE levanta questões muito importantes do ponto de vista da governação e do entendimento do que deve ser o funcionamento de um regime democrático.

A principal questão é esta : deverão existir e, em caso afirmativo, qual deverá ser o papel de entidades independentes intervenientes em questões de governo?

Ninguém discute que num estado de direito democrático o poder judicial deverá ser independente. Mas quanto a questões que têm a ver com o governo, ou seja, com o poder executivo, aí o problema é muito mais complicado.

Muitos consideram que as entidades independentes devem ter poderes de decisão vinculativa para os cidadãos. A justificação desta atribuição de poderes é, à primeira vista, razoável. De facto, um dos problemas de funcionamento de um regime democrático é aquilo que muitas vezes é designado como a sua miopia temporal. É natural que assim seja. Dada as alternâncias de poder, é compreensível que os governos tenham como prioritário o curto prazo, assim pondo muitas vezes em causa pela sua acção os interesses de mais longo prazo do seu país. Por outro lado, é saudável que um governo tenha alguns limites, não só na actividade legislativa, mas também na governação do dia a dia nomeadamente para o impedir de usar demagogicamente o seu poder para ganhar eleições muitas vezes, de novo, em prejuízo das gerações futuras.

Dito isto, lamento dizer, mas não concordo com esta posição, embora reconheça que o problema existe. Mas a forma de o resolver não é atribuir poderes de decisão, que em última análise é decisão política, a entidades que não respondem perante ninguém. Uma regra de ouro do regime democrático é a da responsabilização: quem toma decisões políticas deve ser responsável perante o eleitorado. e por isso não pode ser uma entidade independente que não responda perante ninguém. É por esta razão que, por exemplo, tenho sido sempre contra a independência da política monetária e do Banco Central Europeu. Mas então o problema da miopia? Uma forma de minimizar este problema é instituir entidades independentes, mas sem poder de decisão. Ou seja, as entidades independentes devem, para os domínios de governação para que forem criadas, ter como missão dar parecer fundamentado sobre as opções de política que estiverem sobre a mesa relativas a esses domínios. Esse parecer deve ser obrigatório, isto é, não deve poder haver decisão sem ele ser elaborado e amplamente publicitado, o mesmo é dizer, conhecido pelos cidadãos. Porém, não deverá ser vinculativo, ou seja, a decisão final deve ser sempre do governo. Esta forma de estabelecimento de entidades independentes permite manter o princípio da representação democrática e ao mesmo tempo dificultar (embora não impedindo totalmente, mas esse é o risco da democracia e de qualquer outro regime político) a utilização demagógica do poder em domínios de grande importância, em particular para as gerações futuras.

Por isso, quanto a mim, o Governo esteve no seu pleníssimo direito de estabelecer uma aumento de tarifas para a energia eléctrica diferente do proposto pela ERSE. Se fez bem ou mal isto é, se o país ganha em ter esse aumento de tarifas em vez do outro, é questão que o eleitorado não deixará de avaliar quando houver novas eleições. Por mim, considero que o governo fez bem."
Nesta matéria o Governo fez bem e eu não me queixo!

3.1.07

a lucidez...

escultura do alemão Igor Mitoraj em Sevilha

sem pessimismo nem optimismo, lúcidos...

pobreza zero - fotografia de Mário Príncipe

Não me dei ao trabalho de perder o meu tempo a ver e ouvir os discursos de Cavaco e de Sócrates. O televisor que tenho em casa, adquiriu estatuto de jarrão das Caldas baratucho, para onde já não olho, tanto é o mau gosto e a má qualidade daquilo que nos "oferecem". Portanto, o que e quando o disseram, não sei. O que sei é que não faltou quem tivesse glosado tais patranhas com direito a horário nobre na "hedionda lanterna mágica" mas, o que é certo, é que, tanto os discursos como a sua glosa, não modificaram em nada a realidade com que nos confrontamos, e não vale a pena fingir que não a vemos.
Agora, sem pessimismos ou optimismos exagerados, temos de olhar, com alguma objectividade e lucidez, a nossa verdadeira situação económica e social, a grande fragilidade da consolidação orçamental do Governo e da fraca taxa de crescimento, para não falar duma inflação mantida com a contenção dos salários mais baixos. A margem de manobra é muito pequena, seja qual for o Governo ou o Presidente, mas, isso já toda a gente começou a perceber, portanto, 2007 será mais um ano em que o país e todos nós, uns mais e outros menos, avançaremos sobre a corda bamba, e não serão os partidos de oposição que nos permitirão garantir alternativas, sem caír na demagogia.
Nem todas as soluções estão nas mãos dos governantes. Muitas medidas necessárias, passam também pela vontade dos nossos empresários e pela nossa capacidade de compreender, de agir e de exigir... sim, exigir qualidade para tudo, a começar pelos programas da nossa televisão, e isenção para nossa informação. É só pedir aquilo a que temos direito! Não é pedir o impossível!
Bom ano 2007 se puderem!

numa Europa a 25+2 com euro a 13

desenho publicado no último Charlie Hebdo e que traduzi
(agora subsistuam francos por escudos)

1.1.07

31.12.06


a cinemateca e-konoklasta

"a ignorância é a mãe da estupidez"e-konoklasta
ou, o que o Bush não leu, não viu, não sabe!
em véspera de dia da Paz, relembremos...

klikem nos beduínos pálidos e entrem na história pelo mito

o da esquerda é T.E.Lawrence


Na véspera do dia da Paz, dia que sucede à execução de Sadam Hussain, tempo em que se fazem votos da felicidade e de concórdia, para os que nos estão próximos e para o mundo, onde se teima em semear ventos... como teimamos em viver na paz podre a que nos obrigam as condições de vida, que governantes e gestores, de toda a espécie, "democraticamente" nos impõem. A lista das cangas, que é infindável, sabendo que uns sentem-lhes mais o peso do que outros... sendo evidente que, com salários e pensões de miséria, para não falar dos que não têm nada de nada e esperam longos meses por um rendimento mínimo de inserção duvidosa, dignos dum país no fim do rabo da Europa, suporta-se menos os preços, e para mais os aumentos, de energias, de alimentação, de custos bancários, etc., praticados nos outros países do topo da cabeça da mesma Europa. Mas adiante que se faz tarde!
Pois, as perspectivas de Paz no mundo, e, em particular, no Médio Oriente e Golfo Pérsico, não são muito boas e, não me parece que o enforcamento do ditador iraquiano venha contribuir para apaziguar a região, a ver vamos! Lembro-vos, então, que esta história já dura há muito, e que há quase um século, Thomas Edward Lawrence, viveu, de corpo e alma, a revolta dos árabes contra o Império Otomano, sonhou e fez sonhar o mundo árabe, com eles bateu-se contra esse domínio, contra os interesses britânicos e ocidentais.
A fragilidade da região padece, ainda hoje, do aniquilamento dos sonhos e esforços feitos nesses tempos de revolta. Lawrence deixou um livro, os "Sete Pilares da Sabedoria", muitas cartas e artigos, premunitórios sobre o que hoje se passa pelas Arábias. Em 1917, Aurens (assim era conhecido pelos árabes) escrevia: "mais vale deixar os árabes fazer as coisas de forma aceitável que serem vocês a fazê-lo na perfeição. É a guerra deles, ajudem-nos, mas não para ganhar por eles".
Há 45 anos, David Lean mostrou-nos o mítico Lourenço da Arábia e este epísódio da História esfumou-se, um pouco, por detrás do som das areias das dunas fustigadas pelo vento e pela inesquecível música de Maurice Jare. Se tiverem oportunidade, vejam o filme com atenção.
O Sadam já foi enforcado, agora, desejo ao Bush um lindo enterro nas próximas eleições!
Bom Ano, Paz e Justiça para os Homens de Boa Vontade!

28.12.06

concerto para um (n)ovo ano de ataraxia

klikem no concerto do ovo do Bosch para a ataraxia
Um concerto, em Portugal, de uma banda que ainda não conhecia, procurando música medieval na net.

26.12.06

O prazer do momento anteponhamos...

Pois que nada que dure, ou que, durando,
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo útil para nós perdemos
Connosco, cedo, cedo,
O prazer do momento anteponhamos
À absurda cura do futuro, cuja
Certeza única é o mal presente
Com que o seu bem compramos.
Amanhã não existe. Meu somente
É o momento, eu só quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser.
Ricardo Reis / F. Pessoa

22.12.06

souvenirs... souvenirs.... e périplos europeus

kikar para a ver em movimento
uma festa de luzes todo o ano, com uma novidade de natal aqui


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