29.9.06

exposição World Press Photo no CCB

O drama de uma criança na guerra do Irak. Os seus pais acabavam de ser abatidos por militares americanos.
Esta fotografia e a que se segue, que escolhi porque mostram bem o drama das crianças que vivem a guerra, são duas das que foram premiadas pela organização independente World Press Photo (criada na Holanda em 1955) e estão visíveis na exposição das fotografias premiadas este ano, e, patente no CCB até 22 de Outubro.

exposição World Press Photo no CCB

Esta impressionante fotografia mostra um rapazinho que reza junto dos caixões de alguns dos que caíram na guerra da Bosnia.

meditações de divã para o fim de semana


Cautela com as leituras de indicadores e efeitos perversos de medidas de eficácia, é o que traduz este artigo que li hoje no DN e com que concordo:
"Entidadas públicas no divã
Inúmeras organizações públicas têm adoptado, em vários países, sistemas de mediçã o da sua eficácia. Alega-se a necessidade de aplicar-lhes os princípios da gestão privada. Embora vários efeitos positivos possam daqui decorrer, são indubitáveis os paradoxos e os efeitos perversos. Importa compreendê-los para evitá-los ou minorá-los. Eis alguns exemplos:
1. A aprendizagem perversa. No British National Health Service, estipulou-se que os pacientes não deveriam aguardar mais do que dois anos na lista de espera para cirurgias. O tempo de espera realmente diminuiu. Todavia, as consultas (a partir das quais a contagem do tempo era feita) foram sendo adiadas - para que a contagem do tempo começasse mais tarde. Na realidade, o tempo de espera não diminuiu - apenas se criou um "estratagema" para "ajustar" a contagem.
2. Um paradoxo não intencional. Num estudo de Wiebrens e Essers, verificou-se que a percentagem de crimes resolvidos pela polícia holandesa baixara - sugerindo que o desempenho diminuíra. Todavia, maior quantidade de criminosos foi presa, acusada e penalizada - facto que sugere a melhoria do desempenho! O que sucedeu foi que o padrão de crimes desenvolveu-se de um modo que invalidou o indicador de desempenho usado. Por exemplo, o crime tornou-se mais violento, mas o indicador de desempenho não diferenciava crimes de maior e menor gravidade. Acresce que a polícia conseguiu prender mais criminosos pela prática de vários crimes - facto que reduziu a quantidade média de crimes por criminoso. Ou seja, a polícia não passou a ser menos eficaz - o indicador é que se tornou inapropriado.
3. Outro paradoxo não intencional. Suponha o leitor que uma agência de emprego tem como missão ajudar os desempregados mais carenciados (com menor formação e economicamente mais desfavorecidos). E admita que a eficácia da agência é medida pela quantidade de pessoas colocadas. Uma consequência possível é que a agência, para melhorar o "desempenho", focaliza-se nos indivíduos menos necessitados - pois tem mais facilidade em arranjar-lhes emprego. Viola a sua missão - mas é "eficaz"!
4. Os professores a colaborarem na batota? Suponha o leitor que as notas dos alunos nos testes nacionais determinam os orçamentos das escolas, os salários dos professores e as posições dos directores. Uma das possíveis consequências é que os professores e as escolas se focalizam mais nas perguntas que podem surgir nos testes do que na aprendizagem dos alunos propriamente dita. Algo deste teor foi identificado num inquérito do USA Today e da Associação Americana de Professores. Segundo Van Thiel e Leeuw, esta "batota" não só não ajuda o desenvolvimento intelectual e a formação dos estudantes como também pode aumentar o risco dos falhanços. Ou seja: o que se pretende que seja uma medida de eficácia acaba por se traduzir em ineficácia!
5. Desnatar o creme. "A desnatação do creme" é a tendência dos gestores para ignorarem os aspectos de uma política de avaliação da eficácia que podem prejudicar os seus scores. Por exemplo, uma organização pode decidir prestar bens e serviços apenas aos utentes menos dispendiosos ou mais "atraentes" para as medidas de eficácia. É o que ocorre quando um hospital, para diminuir os tempos de permanência dos doentes, recusa ou se "liberta" de doentes que necessitam de mais tempo.
Em suma: importa evitar que a medição da eficácia das organizações gere efeitos perversos sobre os destinatários dessas medidas. Tal como sugerimos em artigo anterior, há "muitas eficácias" que podem ser bastante ineficazes!
Arménio Rego / DN

27.9.06

les variations Goldberg
as variações Goldberg

toque no teclado

O genial pianista Glenn Gould intrepreta as variações Goldberg de Bach, uma das últimas conhecidas, que se traduz numa versão longa. Bach tinha composto estas variações para cravo, dum certo modo estas intrepretações ao piano são uma heresia, mas uma magnífica heresia.

paisagem outonal

autor: e-konoklasta/IMAGO ver blog http://e-mago.blogspot.com

Parlamento Europeu quer mais espaços verdes nas cidades europeias


O Parlamento Europeu propôs hoje a criação de espaços verdes per capita na construção de novos edifícios, tendo em vista um aumento das zonas verdes na Europa.

A proposta consta de um relatório sobre a estratégia para o ambiente urbano, hoje aprovado em Estrasburgo por 448 votos a favor, 49 contra e 110 abstenções.
O Parlamento Europeu quer que todas as cidades com mais de 100 mil habitantes tenham um Plano de Gestão Urbana Sustentável e um Plano de Transportes Urbanos Sustentáveis, para melhorar o ambiente urbano nas cidades.
O planeamento urbano deve incluir uma maior oferta de espaços verdes e as novas urbanizações devem ter amplos espaços naturais, a fim de facilitar o convívio dos cidadãos com a natureza.
O Parlamento convida assim a Comissão Europeia a propor um objectivo para espaços verdes per capita em novas zonas de desenvolvimento urbano, o qual deve ser incluído naqueles planos de gestão.
Quanto aos Estados-membros, o Parlamento quer que confiram prioridade a "projectos que limitem a construção em espaços não urbanizados e promovam a construção em terrenos industriais abandonados".
A proposta hoje aprovada salienta ainda a necessidade de prestar mais tenção à prevenção e à eliminação da sujidade, lixo, "graffiti", excrementos de animais e ruído excessivo de aparelhagens musicais instaladas em casas ou veículos.
Os eurodeputados defenderam também a promoção de modos de transporte não motorizados, como a bicicleta, propondo que as cidades com maior poluição do ar estabeleçam zonas de baixas emissões.
Num outro relatório também hoje aprovado, o Parlamento Europeu apela à adopção de uma estratégia com objectivos de redução mais ambiciosos relativamente a certos compostos orgânicos voláteis (COV), às partículas PM2,5 e ao óxido de azoto, numa perspectiva de luta contra a poluição atmosférica.
O objectivo é que a redução seja diferenciada nos Estados-membros atendendo aos níveis de concentração que já se registam hoje. Na Europa, perdem-se 3,6 milhões de anos de vida em resultado da poluição atmosférica, sendo que 360 mil pessoas morrem dez anos antes do que morreriam sem este factor.
Este texto provém da agência Lusa e foi publicado no Público de hoje.
Trata-se de uma imposição do PE, que talvez venha a ter um impacto positivo nas políticas autárquicas do nosso país, contendo os apetites de ganhos dos construtores civis e dos autarcas.

palavras fascinadas pelo silêncio

O Silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,


pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade

24.9.06

mandala arabesco

o olhar perdido no movimento

mulheres votaram pela primeira vez no Yemen

Esta mulher yemenita acabou de votar pela primeira vez, a prova está na tinta violeta do seu polegar.

a democracia dos vírus
Princeton, YouTube e os outros

A fraude eleitoral continua a ser objecto de interrogações nos Estados Unidos. Há quem pense que é possível pôr um termo a uma tal eventualidade, com o voto electrónico que invade de ano para ano.
Infelizmente, um dos principais fornecedores - Diebold (de que se conhecem as relações com o partido republicano) - deixa muito a desejar.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Princeton acabou de demonstrar que era muito fácil alterar os resultados no fim de cada escrutínio.
As máquinas em questão - AccuVote-FS - apresentam entre outras características perigosas as de assentarem sobre programas informáticos proprietários secretos e de não deixar rastos sobre papel.
Tradução do texto de Francis Pisani no seu blogue: TRANSNETS

22.9.06

o número de ouro

a beleza da matemática ou a matemática da beleza

chegou a bomba...



Vou limitar-me a fazer copiar/colar do artigo que li hoje no DN escrito por Leonor Figueiredo. É a confirmação do que já se suspeitava, ou sabia e que muita gente, ligada ao ensino, não quer ver...

""Somos poucos e não muito bons." É este o diagnóstico sobre o ensino em Portugal feito pelos economistas do Banco Europeu de Investimentos, Luísa Ferreira e Pedro Lima, cujos resultados "sugerem a incapacidade dos jovens em transitarem do sistema educativo para o mundo do trabalho".
Os autores usam os indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e desmontam argumentos desculpabilizantes do estado a que chegou o ensino. A sua análise será incluída no livro Desastre no Ensino da Matemática: Recuperar o Tempo Perdido, organizado pelo professor Nuno Crato (ver caixa).Apesar da "progressão notável" de alunos no ensino desde os anos 60, a verdade é que, 40 anos depois, Portugal está na cauda da OCDE. O número de estudantes de todos os níveis situa-se "claramente abaixo" dos países desenvolvidos. Só 35% dos adultos que beneficiaram do investimento na educação nas últimas décadas (hoje têm entre 25 e 34 anos) acabaram o secundário, remetendo-nos para o 3.º pior lugar, quando em mais de metade da OCDE o secundário foi atingido por 80%.
"É fácil antecipar que a desejada convergência com os nossos parceiros europeus não se processará num futuro próximo", alertam os economistas, dado os níveis de abandono escolar e saídas precoces, sem paralelo na Europa. O mais assustador é que o número não baixou nos últimos dez anos, já que cerca de metade dos jovens entre os 18 e os 24 anos continuam a virar costas à escola. Há cinco anos, um quarto dos nossos jovens não tinha sequer concluído o 9.º ano. Os níveis de participação no secundário e universitário estão, portanto, "claramente abaixo de valores óptimos".
A qualidade não é melhor, dado o "desempenho modesto dos alunos portugueses, sempre abaixo da média global". Baseados em testes internacionais (IALS, TIMSS e PISA), os autores sublinham que o nosso sistema educativo "parece incapaz de produzir um produto cuja qualidade média consiga competir".Melhores não são excelentesA prestação em literacia matemática "é má", não pelos maus alunos mas pelos melhores, cuja performance é "consideravelmente inferior à média" homóloga na OCDE.
Se o nível de despesa fosse "factor explicativo decisivo", defendem os economistas, seriam de esperar "resultados bastante elevados" nos alunos com 15 anos, o que não acontece.Quanto aos gastos, "seriam perfeitamente compatíveis com um sistema competitivo a nível internacional". A despesa por aluno no primário e secundário "coloca-nos perto da média da OCDE". Países que gastam "significativamente menos" como a Irlanda, Hungria, República da Coreia e República Checa obtêm resultados "claramente superiores". A democratização do ensino não pode ser causa de baixa qualidade, porque a despesa por estudante não foi tão reduzida que o justificasse. Para uma procura maior houve mais despesa, com o PIB "praticamente a par" da média. A entrada de todos os estratos sociais não fez baixar a bitola, já que, observam os autores, se isso acontecesse, os melhores alunos, os do "grupo que seria imune ao alargamento do ensino", não teria, como se verifica, "piores desempenhos relativos". A média dos 5% de alunos bons "é significativamente mais baixa que no grupo homólogo". Só 4% dos nossos alunos atingiram um nível mais alto na literacia de leitura, enquanto na OCDE a média é o dobro.
Embora a análise reconheça incapacidade para "atrair os professores mais aptos", denuncia o facto de haver muitos docentes que não estão a leccionar, registando-se uma elevada percentagem de professores sem qualificações "apropriadas".
Em salário, os docentes portugueses do básico com 15 anos de experiência ganham o mesmo que os congéneres espanhóis ou franceses, "todos eles com melhor desempenho". "A situação dos professores não se distingue significativamente da maioria dos países desenvolvidos", com Portugal a ocupar a quinta posição na OCDE, com o salário de topo dos professores do básico.
Os autores lembram "a pouca atenção prestada à formação dos professores", ao seu processo de formação, entrada na profissão e exercício. E concluem que continuamos com poucos alunos no ensino e com resultados que deixam "bastante a desejar". Aconselham mais autonomia para as escolas, mais qualidade no ensino dos professores e melhor uso dos recursos financeiros.
Além de não ganharem mal, os professores portugueses têm menos alunos por turma, apesar de as crianças passarem "mais horas" nas salas de aula do que em países onde obtêm melhores resultados. "

20.9.06

blogger entupido

Não sei o que há com o blogger, mas não posso editar imagens e postais só agora para experimentar.

18.9.06

tempestade ou bonança ?

Tempos incertos, aqueles em que vivemos... O que nos trazem estas núvens ?

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