5.9.06

os deuses

Não consentem os deuses mais que a vida.
Tudo pois refusemos, que nos alce
A irrespiráveis píncaros,
Perenes sem ter flores.
Só de aceitar tenhamos a ciência,
E, enquanto bate o sangue em nossas fontes,
Nem se engelha connosco
O mesmo amor, duremos,
Como vidros, às luzes transparentes
E deixando escorrer a chuva triste,
Só mornos ao sol quente,
E reflectindo um pouco.

Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

4.9.06

O jardim das Caldas de Joe Berardo


Não farei comentários às imagens nem ao projecto de jardim budista, actualmente em instalação, na Quinta dos Loios, perto das Caldas da Raínha, propriedade de Joe Berardo.
Pouco, ou nada, sei deste "fantástico" jardim. Não conheço o projecto. As fotos, que requadrei e tratei a nível de luminusidade e contraste, foram-me enviadas pela Maria de São Pedro, escritora e artista plástica, blogueuse da "Lua de Lobos" e foram tiradas por Isabel Vicentino.
O que quererá Berardo fazer com o seu jardim budista ?
Se calhar é um capricho de quem não sabe o que fazer ao dinheiro... e acrescentaria, de gosto duvidoso ! Ou será que o homem deu agora na grande espiritualidade ? Aqui é que eu tenho as minhas dúvidas.
As imagens que se seguem, são todas do tal jardim.
Última notícia chegada e esclarecedoura sobre o jardim das Caldas de Berardo:
Agora é que vamos ver do que se trata, mas perceber... não sei se perceberão, eu continuo a não perceber... o tipo vai por-se a fazer pagar entradas, como para a Disneyland, vão ver! e logo o maior da Europa... como se a espiritualidade chegasse aos homens lá porque vão passear-se num lugar daqueles... Por quanto ? 10 ou 20 euros ?
Aqui vai o link da Gazeta das Caldas:

o jardim budista de Berardo

o jardim budista de Berardo

o jardim budista de Berardo

o jardim budista de Berardo

o jardim budista de Berardo

o jardim budista de Berardo

imago

IMAGEM


Um espelho em frente de um espelho: imagem

que arranca da imagem, oh

maravilha do profundo de si, fonte fechada

na sua obra, luz que se faz

para se ver a luz.

Herberto Helder

3.9.06

rapsódia boémia

carregue na imagem
hoje à noite na RTP 1 o grande Freddy Mercury
Bom, esqueçam, foi ontem à noite.

e-konoklasta recebe um iconoclasta

Maurizio Cattelan, é a personagem marcante que emergiu da cena das artes plásticas em Itália na década de 90. Nasceu em Pádua e já não está muito longe dos 50. Está, hoje, representado nas maiores e melhores coleções de arte, assim como em diversos museus. Vive hoje em Nova Iorque, "meca" das artes plásticas.
Herdeiro da cultura popular, da arte "povera" e do espírito iconoclasta (sim, este é um iconoclasta, eu só sou e-konoklasta) de Piero Monzoni; trabalha diferentes temáticas que têm a ver com a instituição, a aceitação da arte contemporânea e dos seus acontecimentos mediáticos.
O seu trabalho apresenta-se sob variadas formas: instalações, esculturas, mais reais que a realidade, realizadas em cera (Hitler, João Paulo II, Kennedy, e animais). As suas intervenções discretas, mas provocadoras (há histórias abracadabrantes com colecionadores, galeristas e outros magnatas, de que é exemplo a imagem aqui destacada) disfarces, roubos, cópias, deslocações de exposições ou de público, que são uma interrogação às relações entre a arte e a vida e colocam, sempre, pelo humor que range (como rangem as portas ou os dentes) a questão do papel político-mediático do artista na sociedade contemporânea.
A qui vos deixo com que meditar, a propósito das polémicas à volta da coleção Berardo, sobre o que é e o que não é arte e do papel irreverente de alguns artistas, contra a lógica do mercado da arte, que por sua vez se deixam absorver por essa mesma lógica. Círculo viciado, sem fim.

contestação no ar e no chão


sem nome, de 1997
Esta, como as imagens que se seguem, são esculturas de Maurizio Cattelan, é uma obra realizada para mostrar a sua oposição a uma exposição da qual elecontestava o princípio, e que permitiu estabelecer um diálogo com o público.

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