27.8.06

ao sabor das ondas
au gré du vent

carregando na imagem entra-se no site da Amália
apuyant sur l'image vous arrivez sur le site d'Amalia

É muito difícil encontrar música portuguesa, mesmo francesa, nos sites de vídeos, como o Youtube ou videocode. Hoje, procurei Mariza e encontrei o vídeo que está lá no fim do blogue, em que canta a Mariza com o Carlos do Carmo, este fado escrito pela Amália. Este era mesmo dela, hoje é património cultural da humanidade... esta estranha forma de vida !

vertiginoso
vertigineux


A biografia de Henry Darger na Wikipedia
La biographie d'Henry Darger dans Wikipedia


Encontrei um grande e bom artigo na enciclopédia Wikipedia sobre a vida e "obra" de Hery Darger. Só existe em inglês e tem muitas referências, assim como, as origens da história das Vivian Girls.
Menciona a possibilidade de Darger sofrer da sídrome de
Gilles de la Tourette, até há pouco (fim do sec IXX, descoberto pelo médico francês, Gilles de la Tourette, contemporâneo de Charcot, mas que ainda hoje não é diagnosticada na maioria dos casos) quase desconhecida, que deve ter sido um factor importante para a complexificação da sua psicologia, com as sevícias de que foi alvo na infância e adolescência que o atirou para o abismo duma vida, que parecia inexistente, até ao dia da sua morte e da descoberta do que escreveu e desenhou.
http://en.wikipedia.org/wiki/Henry_Darger

Pour les visiteurs francophones, mais pour les autres aussi
Para os visitantes francófonos, mas para os outros também

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Amis francophones, même si mon blog est, majoritairement, écrit en portugais, ne vous privez pas de faire vos commentaires en français, nous vous comprenons. Pour vous ce diaporama, sans texte, que j'ai trouvé sur YouTube.

26.8.06

perturbante arte bruta
perturbant art brut

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Tentar compreender a arte bruta de Henry Darger
Essayer de comprendre l'art brut d'Henry Darger

Nas minhas viagens virtuais, percorro muitos sites e blogues de todo o mundo, gosto de aprender, descobrir e surpreender-me, muitas vezes, muito longe do universo das ideias pré-fabricadas ou das opiniões.

Ontem, como faço muitas vezes, entrei no blogue do "le monde" "les lunettes rouges" (blogue sobre a actualidade artística do nosso planeta) e fui surpreendida pelo post (billet) que ali estava editado. Tratava-se da apresentação duma exposição de arte bruta, no museu da "Maison Rouge", em Paris, onde apresentam 80 das 300 ilustrações de Henry Darger. Com a autorização de Marc, o autor do blogue, vou tentar traduzir a atmosfera que ele criou e que tanto me impressionou. A tradução não será feita nas melhores condições, directamente e sem dicionários para verificações. Podem, no entanto, visitar o blogue que é muito interessante: http://lunettesrouges.blog.lemonde.fr/lunettesrouges/

As meninas com pénis do velho Henry

O velho Henry, moreu aos 81 anos num hospício. Trabalhou a lavar pratos na cozinha dum hospital, viveu 40 anos num quarto duma pensão; não tinha herdeiros e deixou todos os seus bens aos donos da sua pensão. Orfão de mãe aos 4 anos, alcunhado de "crazy" desde a sua infância, foi para um orfanato com 8 anos, depois, com 12 anos, foi surpreendido a masturbar-se em público e puzeram-no numa instituição para atrazados mentais, onde parece ter sido vítima das piores sevícias, e de onde ele fugiu com 17 anos quando o pai morreu. Muito devoto, considerado como um "simples" pelos seus vizinhos, apenas teve um amigo, tão marginal como ele, e viveu enclausurado no seu quarto; o seu pedido de adopção de uma menina foi recusado. Tinha uma obsessão pela metereologia.

No dia da sua morte, os seus senhorios entraram no quarto e, no meio da maior desordem, descobriram milhares de páginas e centenas de aguarelas e ilustrações, a sua obra, a história das "Vivian Girls", episódio do que é conhecido como os Reinos do Irreal, causado pela revolta das crianças escravas.

Começou a escrever em 1910, traumatizado pelo drama de uma miúda, raptada e violada (e por ter perdido a fotografia dessa menina, que ele conservava religiosamente), começa a ilustrar a partir de 1918. Darger mostra-nos cenas de grande brutalidade, mas aonde as personagens são angélicas, meninas modelo, de rostos sempre idênticos, sem expressão, sem individualidade. Esses quadros apocalípticos só mostram violência, sevícias, estrangulamentos, ventres abertos. O tema essencial é a luta entre o bem e o mal, do cristianismo e do paganismo, meninas puras e horríveis soldados inimigos. Todos os desenhos são tratados em tons claros e luminosos. Darger desenhava mal e cola e copia motivos de catálogos ou livros infantis apanhados em caixotes de lixo.

Demasiados índices apontam para a incrível complexidade psicológica deste homem. Do lado do bem, ele só representa, praticamente, meninas na pré puberdade, quase sempre nuas, exibindo um pénis de rapaz (apenas é visível uma erecção em toda a exposição) e por vezes, com cornos nas cabeças e até uma cauda de dragão no fim das costas.

Que pulsões sexuais reprimidas habitavam este homem ? Terá ele tido uma vida secreta ? Terá ele cometido estes crimes ? Quem, escritor, analista, puderá nos elucidar sobre como lhe foi possível sublimar nesta obra obsessional, estranha e perturbadora. Uma das personagens chama-se General Judas Darger.

Henry Darger (1892-1973) nasceu em Chicago, nos Estados Unidos.

as meninas com pénis de Henry Darger

uma ilustração de Henry Darger

mais um comentário que não passa no aspirinab

Desejo melhor saúde ao aspirinab, pois os comentários não passam... para o último post sobre os abismos da literatura, queria dizer o seguinte:

"Abismos da literatura? só para quem não conhece os abismos da vida... esse abismo da literatura é só, na maioria do que se encontra nos escaparates, exercícios de estilo e não só nas "couves e alforrecas".
Exemplo dum grande abismo num pequeno livro: editado pela Fenda, "A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer" do Stig Dagerman. Depois, grandes livros que contornam todos os abismos, há tatos, tantos, há escritores que deviam limitar a sua produção a um ou dois livros... Mas lá vamos tolerando, à espera de outro melhor... como, outros, os que estão no abismo, esperam por melhores dias !"

Também tenho tido alguns problemas com as caixas de comentários que foram invadidas de propaganda nacionalista, racista e anti-semita.

25.8.06

o mais badalado:
plutão desapareceu do mapa
e os dinheiros desapareceram das contas dos partidos

É jornais, é televisão, é blogs, só se diz que fizeram desaparecer plutão do mapa. Mas ele lá ficou, impávido e sereno, alheio a toda a algazarra... já lá estava e não foi porque, entre cientistas, se decidiu que já não era preciso aprender o seu nome nas escolas que ele deixava de existir, não o aquece nem arrefece e parece que lá esta muito frio...

Depois, informam-nos que há partidos que não fazem aparecer, nas contas, todo o pilim que recebem e que fazem mal as contas. Que grande novidade... isso toda a gente sabe. Aqui passa-se ao contrário do que se pasou com plutão, o pilim não está no mapa, mas ele tem que lá aparecer... isto está a aquecer por este lado e, não podem dizer que nem os aquece nem arrefece...

e, já agora, o terceiro homem, Orson/Lime
et je ne résiste pas au charme maléfique d'Orson/Lime

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Tinha deixado Portugal. Não tinha visto, ainda, "o terceiro homem", o filme de Carol Reed protagonizado por Orson Wells, só conhecia a música que se tornou no tema do filme, composta por um desconhecido, na altura, Anton Karas. Trauteava-a com frequência. E, numa rua, meia deserta, ao pricípio da tarde, do "Quartier Latin" em Paris, vi o cartaz que há muito esperava, trauteado o tema de Karas, comprei um bilhete, e, sozinha, naquela sala de cinema, que hoje já não existe, vi o filme tão esperado, trauteando, à vontade, livre, a música da banda sonora do filme.
Lembro-me, como se fosse hoje, da passagem que mostra o vídeo, muito particularmente da imagem do gato, lambendo as patas, nos pés da sombra de Lime/Wells.

une petite merveille...
D. Quixote, pour Picasso et Anton Karas (third men)
o Quixote pelo Picasso e pelo Anton Karas (terceiro homem)

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24.8.06

Não sejamos hipócritas



A Constituição da República Portuguesa garante: a igualdade de direitos e deveres de homens e mulheres (art.º 13.º); acesso ao direito e aos tribunais para defesa dos direitos (art.º 20.º); direito à integridade física e moral (art.º 25.º); igualdade no casamento (art.º 36.º).

O Código Penal Português prevê e pune os crimes de violência contra a família, nomeadamente os maus tratos físicos e psíquicos (art.º 152.º); e o incumprimento do dever de alimentos (art.º 250.º).A Lei n.º 7/2000, de 27 de Maio, procedeu a alterações ao Código Penal e Código de Processo penal. Nos termos desta Lei, o crime de maus tratos físicos e psíquicos ao cônjuge, a quem conviva em condições análogas às dos cônjuges ou a progenitor comum em 1.º grau (art.º 152.º do Código Penal), passou a ter natureza de crime publico, não sendo necessária a apresentação de queixa por parte da vítima. este mesmo artigo passou a prever a possibilidade de, nos casos referidos, ser aplicada ao arguido uma pena acessória de proibição de contacto com a vitima, incluindo a de afastamento da residência desta, pelo período máximo de dois anos.

A redacção dos artigos 281.º e 282.º do Código de Processo Penal foi igualmente objecto de alterações, que respeitam à possibilidade de, em processos por crime de maus tratos entre cônjuges, entre quem viva em condições análogas ou seja progenitor de descendente comum em 1.º grau, o processo ser suspenso, provisoriamente a livre requerimento da vítima, verificados determinados requisitos (art.º 281.º) podendo a duração da suspensão ir até ao limite máximo da respectiva moldura penal (art.º 282.º) - DR, 1.ª A, n.º 123, 27 de Maio.
A Violência contra a Família compreende diversos comportamentos criminais:


CRIMES CONTRA A VIDA

a) HomicídioActo de matar outra pessoa.

b) Homicídio (tentativa de)Quando alguém, com intenção de matar, pratica todos os actos tendentes a realizar esse objectivo, mas o resultado (a morte) não se verifica.


CRIMES CONTRA A INTEGRIDADE FÍSICA

a) Ofensas à integridade física

Quando alguém ofende o corpo ou a saúde de outra pessoa.

b) Maus tratos

Ocorre quando o marido, a pessoa que conviva em condições análogas ou o progenitor de descendente comum de 1º grau, trata mal a sua esposa, a pessoa em condições análogas ou o progenitor de descendente comum em 1º grau, física ou psicologicamente.


CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL

a) Ameaça

É o crime que ocorre quando há uma forma de intimidação dirigida a uma pessoa, provocando-lhe medo, inquietação ou prejuízo na sua liberdade de determinação.

b) CoacçãoQuem pratica, através de violência, ou de ameaça com mal importante, obriga outra pessoa a praticar ou não praticar certo acto ou a suportar determinada actividade.

c) Sequestro

É o acto de privar outrém da sua liberdade. Se a privação da liberdade durar mais de 2 dias ou for praticada em circunstâncias graves, que a lei prevê, a pena será substancialmente agravada.d) RaptoÉ o crime que pratica quem, através de violência, ameaça ou astúcia, priva outrém da sua liberdade, tendo como objectivo a submissão da vítima a extorsão, a prática de crime contra a liberdade e a auto determinação sexual ou a obtenção de resgate ou recompensa.


CRIMES CONTRA A LIBERDADE E AUTODETERMINAÇÃO SEXUAL

a) Coacção sexual

Consiste em forçar alguém- por meio de violência, ameaça grave ou depois de, para esse fim, a ter tornado inconsciente ou posto na impossibilidade de resistir- a sofrer ou a praticar, consigo ou com outrém, acto sexual de relevo.

b) Violação

É quando alguém é forçado a manter relações sexuais com uso de violência, ameaça grave, criação de estado de inconsciência ou de impossibilidade de reacção.c) Abuso sexual de pessoa incapaz de resistênciaÉ a prática de acto sexual com pessoa inconsciente ou incapaz de opor resistência, aproveitando-se do seu estado de incapacidade ( mas não tendo contribuído para a criação desse estado).


CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE

a) FurtoConsiste em subtrair coisa móvel alheia com intenção de se apropriar dela.

b) DanoConsiste em destruir, total ou parcialmente, danificar, desfigurar ou tornar não utilizável coisa alheia.

No site: http://www.fjuventude.pt/programas/sites/violencia/

a caixa de comentários deste post foi invadida por comentários de conteúdo duvidoso, impregnados de proselitismo nacionalista, racista e anti-semita. Tive que retirar o post e os comentários e a partir de agora, por prazo indeterminado, vejo-me na obrigação de moderar os comentários. Não é cómodo, sei, lamento, mas é só para vos evitar leituras indesejáveis.

21.8.06


E NÃO SE PODE PARAR DE ATACAR ESTE PROBLEMA SOCIAL

Tenho 49 anos e estou presa porque matei o meu marido.

Estou em prisão preventiva e recusei advogado de defesa.
Defesa para quê?De quê? De quem?
Matei o monstro que me espancou e violou de todas as formas e feitios durante vinte e sete anos.
Um dia perdi o MEDO. Esperei que adormecesse e esfaqueei-o vinte sete vezes. Uma facada por cada ano roubado da minha vida. Estou serena.
Nunca me senti tão tranquila na minha vida.Vivo numa prisão onde sou respeitada. Onde tenho alimento. Onde ninguém me viola ou espanca.
Consigo sentir-me feliz e durmo tranquila como não dormia há vinte sete anos.
Caso VIII
Um dos casos que eu foco no meu livro SENHORES DO MEDO e que mais me chocou.E não tem a ver com dependencia financeira... isso é uma minoria, embora seja um dado adquirido ser a grande razão do silêncio. Não é.
Melhor que eu, alguém que escreveu o

Prefácio dos Senhores do Medo

Sobreviver ao SENHOR Viver sem MEDO
Foi para mim um grato prazer colaborar com a Maria de São Pedro e muito me honrou o seu convite para escrever estas breves palavras.
Numa leitura clara, numa linguagem directa, na voz da primeira pessoa, Maria espelha, sem rodeios, as várias molduras da vitimação.
Não procure aqui, o leitor, explicações cientificas ou saberes enciclopédicos – antes encontrará histórias de Vida – sendo a partilha, a intenção da escritora.
Este livro reflecte, com grande respeito, o contacto com as vítimas de crime, a sua atenta audição e a sensibilidade de quem sabe, com rigor, descrever e dar voz ao sofrimento, às suas lutas e às suas batalhas ganhas.Ressalte-se um inegável mérito – este livro vem desmistificar os fantasmas que permanecem na mente de muitos – por ignorância ou por irónico sentido de oportunidade.
Aqui, nestas histórias de Vida, não encontramos relatos miserabilistas, mas antes, vozes de força, coragem e mudança.
Em SENHORES DO MEDO, encontramos a dimensão do crime da violência doméstica, hoje crime público, que a todos diz respeito, como um fenómeno transversal – ele vive e convive entre ricos e pobres; ele é praticado por agressores com e sem adições; ele impõe-se pela manipulação psicológica exercida sobre a mulher, vítima deste violento crime, seja ele física, psicológica ou sexualmente praticado.
Para quem, com irresponsável facilitismo, condena essas mulheres por permanecerem anos em vidas dramáticas, será útil ouvir a denúncia na primeira pessoa, da cegueira que não lhes permite ver a saída porque teimam em questionar o inquestionável, mergulhadas na ambiguidade dos afectos e da racionalidade, da vergonha e do medo, da certeza e da dúvida, do desespero e da esperança.
Maria de São Pedro retrata-nos as diferentes facetas da violência – no seu livro SENHORES DO MEDO onde sentimos o peso das mais diversas máscaras usadas para tapar cada marca.Com esta leitura, compreendemos que os actores da violência conhecem perfeitamente o seu papel.Resta perguntar aos espectadores se querem assistir ou exercer o seu dever como cidadão, denunciando, falando, intervindo.
Maria de São Pedro rompeu o silêncio das vítimas, dando-lhes a voz legítima de SENHORAS SEM MEDO.
Dra. Rosário Figueiredo
APAV

Publicado no blog: http://luadoslobos.blogspot.com/, passem por lá pois o meu copiar/colar talvez não seja dos melhores.

hipocrisias abruptas

O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
................................................
do Carlos Drummond de Andrade

hipocrisia e votos piadosos...

Acabei de ler um bom artigo sobre como o "nosso" Presidente da República e sua comitiva encaram o problema gravíssimo da violência no seio da família em geral e contra as mulheres em particular. Podem lê-lo aqui: http://www.semanario.pt/noticia.php?ID=2920
Volto mais tarde.

20.8.06

de volta, devagar...
de retour, doucement...

Aqui tão perto. Com palavras abafadas no fundo da garganta.
Lá iremos... mas ainda não sei como nem quando.

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