29.4.06

le désir transparent
o desejo trasparente

collaboration de Michel Baraza

l'amour transparent
o amor transparente

colaboration de Michel Baraza

27.4.06

sweet dreams

letras espalhadas
a brancura corrosiva da palavra
de todos os nomes em falta
de todos os silêncios reprimidos
por líquidas eternidades
um mundo fechado
que vos olha de todos os olhares abruptos
como uma palavra branca
cortante e opaca
repetição da mesma marca
por estradas infinitas
se insinua
sem gandeza nem espessura
um loto de letras espalhadas
imagem e texto: e-konoklasta

26.4.06

também não é para esquecer
n'oublions pas non plus

Num momento que que os média nos dizem que há cada vez mais adeptos e organizações de extrema direita nazi, o que é muito preocupante, deve saber-se:
L'Allemagne va ouvrir aux historiens un vaste fonds d'archives de la Shoah

Berlin a accepté, mardi 18 avril, d'ouvrir aux chercheurs et historiens l'un des plus importants fonds d'archives sur les victimes des nazis pendant la seconde guerre mondiale, après en avoir limité l'accès pendant soixante ans. "Je suis heureuse de pouvoir vous annoncer aujourd'hui que l'Allemagne a changé d'avis et acceptera de réviser rapidement les accords de Bonn" datant de 1955, qui règlent la gestion d'archives de 30 millions de documents, a ainsi annoncé la ministre de la justice allemande, Brigitte Zypries, à Washington, après une rencontre avec la directrice du musée de l'Holocauste de la capitale américaine, Sara Bloomfield.

A Alemanha vai abrir aos historiadores um vasto fundo de arquivos da Shoah

Berlim aceitou, em 18 de abril, por ao dispôr dos historiadores um dos mais importantes fundos de arquivos sobre as vitimas nazis durante a segunda guerra mundial, depois de ter limitado o acasso durante sessenta anos. "Estou feliz em poder anunciar-vos joje que a Alemanha mudou de opinião e aceitará rever rapidamente os acordos de Bona" que datam de 1955, que regula a gestão de arquivos de 30 milhões de documentos, anunciou a ministra da Justiça alemã, Brigitte Zypries, em Wasshington, depois de um encontro com a directora do museu do Holocausto da capital amaricana, Sara Bloomfield.

a marcha dos vivos em Auschwitz-Birkenau
LEMONDE.FR 26.04.06

a central de Tchernobyl no dia 26 de abril de 1986
esta é a única imagem em directo da catástrofe

Em abril de 1986, um banal exercício de segurança, torna-se numa catástofre. O reactor nº4 apanha embalo e liberta 100 vezes mais de matérias radioactivas que a bomba de Hirochima. Esta fotografia é o único cliché, hoje existente, deste dia, deste lugar, do fotógrafo Igor Rostine. O aspecto, extremamente granulado da imagem, deve-se ao excesso de radiação, na proximidade do reactor.
dossiê e petição:
/international/news/chernobylcancernightmares260406

há 20 anos um "liquidador" encontrou um bébé abandonado dentro do perímetro de segurança

em 2006 não esquecer Tchernobyl




25.4.06

Portugal, hoje / o medo de existir

uma andorinha não faz a primavera
um cravo não faz uma revolução
a revolução faz-se todos os dias
com cravos ainda melhor
HOMENAGEM ÀS FLORISTAS DO LARGO DO ROSSIO

on the road again / ainda pela estrada fora
nas profundezas de Benares, a Capital do Mundo

"Tomei o volante e conduzi com os meus próprios devaneios através de Linares, através de terras planas, quentes e montanhosas, através do fumegante Rio Souto la Marina perto de Hidalgo, e assim por diante. Espraiou-se diante de min um grande vale, de uma vegetação luxuriante, com plantações verdes. Grupos de homens viam-nos passar, do cimo de uma estreita ponte muito antiga. O rio corria interminávelmente. Depois subimos de altitude, até surgir de novo uma espécie de deserto. A cidade de Gregoria ficava em frente. Os rapazes dormiam, e eu estava sozinho na minha eternidade ao volante, e a estrada seguia a direito como uma flecha. Não era como conduzir pelo estado de Carolina, ou do Texas, ou do Arizona, ou do Ilinois; era como conduzir pelo mundo e a caminho de sítios onde finalmente nos conheceríamos a nós próprios entre os índios felás do mundo, a estirpe essencial do primitivo básico, uma humanidade gemente que se estende numa cintura em redor da barriga equatorial do mundo desde a Malásia (a grande unha da China) ao grande subcontinente da Índia, até à Arábia, passando por Marrocos, até aos desertos e selvas sempre identicos do México, e através das ondas até à Polinésia e ao místico Sião da Túnica Amarela, e sempre à volta, sempreà volta, de tal modo que se ouve o mesmo gemido dolente nos muros em escombros de Cádis, na Espanha, e à roda de vinte mil quilómetros nas profundezas de Benares, a Capital do Mundo. Esta gente era indiscutivelmente índia e não eram como os Pedros e Panchos das tontas patranhas da América civilizada - tinham as maçãs do rosto salientes e olhos rasgados e modos gentis; não eram idiotas, não eram palhaços; eram grandes índios a sério e eram a origem da humanidade e os seus pais. O mar é chinês, mas a terra é coisa de índios, tão essenciais no deserto da «história» como os rochedos no deserto da terra. E eles tinham consciência disso ao verem-nos passar, americanos presunçosos e endinheirados a divertirem-se na sua terra; eles sabiam quem era o pai e quem era o filho da vida antiquíssima da terra, e não teciam comentários. Pois quando se abater a destruição sobre o mundo da «história» e regressar uma vez mais o Apocalipse dos felás, como tantas vezes antes, as pessoas irão contempla-lo com os mesmos olhos nas grutas do México e nas grutas de Bali, onde tudo principiou, e onde Adão foi amamentado e ensinado. Eram estas as ideias que me ocorriam enquanto conduzia o carro na direcção da cidade quente e crestada de Gregoria."

Parágrafo total das pág. 355/356 de PELA ESTRADA FORA de JACK KEROUAC, na édição da Relógio d'Água, edição de 1998, tradução de Armanda Rodrigues e Margarida Vale de Gato.

21.4.06

On the road
pela estrada fora

Passei no bicho carpinteiro e vi lá esta pérola, não resisti e fui buscá-la para aqui, mas ponho texto:


"Fomos a hollywood para tentar arranjar trabalho no drugstore da esquina da Sunset com a Vine. E que esquina! Famílias inteiras, vindas do interior em carripanas, ficavam especadas no passeio, eembasbacadas, para verem uma estrela de cinema qualquer, e a estrela de cinema não chegava a aparecer. Quando passou uma limusina, precipitaram-se ansiosamente para a curva e baixaram-se para espreitar: um indivíduo qualquer de óculos escuros ia sentado lá dentro ao lado de uma loura enfeitada com jóias."

Pela Estrada Fora / Jack Kerouac / 1957

Depois ponho outro excerto, prometo.

a actualidade da fauna que comenta os comentários da fauna das caixas de comentários

quando se é pequenino, é o que pode acontecer não saber onde se meter

20.4.06

agradecimentos pela publicidade gratuita
the life is a bitch


A fauna das caixas dos comentários (encontrado no Origem des Espécies)
ARede está a mudar tudo, a criar coisas novas, a realizar outras muito antigas que as tecnologias até agora existentes ainda não permitiam e a dar eficácia a velhos, e muitas vezes maus, hábitos que existiam no mundo exterior e agora passam para o mundo interior da Internet. Alguns casos recentes voltaram de novo a mostrar a Internet sob uma luz pouco amável, bem preconceituosa aliás, porque nada do que lá se faz se deixou de fazer cá fora. O que há é um upgrade tecnológico no crime, que a Rede melhora e nalguns casos favorece pela sua acessibilidade e universalidade. São estes os múltiplos exemplos da chamada "fraude nigeriana", ou os casos de phishing que leva os incautos a fornecerem palavras-passe de acesso a contas bancárias; os casos de cyberstalkers, pessoas que perseguem outras cujo nome e morada aparece na Internet. Isto tudo depois da pedofilia e de outras utilizações criminosas da Rede.O que é novo na Rede, quer na "normal" quer na criminosa, são as características psicológicas específicas do mundo em linha, em especial a exploração da fronteira, mais ténue do que parece, entre a realidade e a virtualidade. E isso traz elementos novos como se vê se analisarmos para além do crime em si. Um caso actual é o do assassinato de uma menina de dez anos por um autor do blogue chamado "Strange Things are Afoot at the Circle K." (http://futureworldruler.blogspot.com/), que tinha feito pouco antes um comentário sobre canibalismo. O que há de novo neste caso e no interesse mediático sobre ele é que em vez de um diário em papel, ou escritos mais ou menos dementes ou geniais, como era o caso pré-Internet do Unabomber, agora, quase de imediato, todos se voltam para o blogue, para o perfil do blogue, para o rasto na Rede do putativo criminoso. A Rede fica indissociável da nova identidade das coisas, como se entre o mundo virtual e o real a teia fosse completa. E, se calhar, é.Mas não é este apenas o único aspecto interessante, há outro para que não se tem chamado a atenção: o mundo muito próprio dos que escrevem sobre textos alheios nas caixas de comentários dos blogues ou de órgãos de comunicação em linha. O Strange Things are Afoot at the Circle K. continua em linha e tem, à data em que escrevo, 644 comentários na última nota escrita pelo seu autor, todos eles posteriores ao conhecimento do crime. O blogue continua vivo mesmo depois da prisão do seu autor.Mas os 644 comentários empalidecem face aos portugueses 1321 comentários do Semiramis (http://semiramis.weblog.com.pt/), cuja anónima autora teria morrido de morte súbita, suscitando as mais contraditórias versões na própria caixa de comentários do blogue. Deixando de parte a polémica sobre as caixas de comentários abertas ou moderadas, ou sobre a sua própria utilidade e valor, deixando de lado também a história pessoal inverificável do que aconteceu à sua autora (ou autor?) anónima, o interessante é registar que o que há nesse blogue é uma comunidade que aproveita o "lugar" para se encontrar. A caixa de comentários tornou-se numa espécie de chat, que parasita a notoriedade do blogue, como já acontecera no Espectro (http://o-espectro.blogspot.com/) com os seus finais 494 comentários, onde as pessoas se encontram numa pequeníssima "aldeia global", que tomam como sua.O comportamento destas pessoas-em-linha é compulsivo, eles "habitam" nas caixas de comentários que são a sua casa. Deslocam-se de caixa para caixa de comentário, deixando centenas de frases, nos sítios mais díspares, revelando nalguns casos uma disponibilidade quase total para comentar, contracomentar, atacar, responder, mantendo séries enormes que obedecem à regra de muitos frequentadores desta área da Rede: horário laboral na maioria dos casos, quebra no fim-de-semana e nos feriados. São pessoas que estão a escrever do seu local de trabalho ou de estudo, de empresas ou de escolas, onde têm acesso à Internet. Há, no entanto, alguns casos de comentadores caseiros e noctívagos, que só podem estar a escrever noite dentro, como era o caso nos primeiros anos da blogosfera portuguesa, antes de se democratizar. É um fenómeno aparentado com muitas outras experiências comunitárias na Rede, mas está longe de ser o mundo adolescente dos frequentadores do MySpace (http://www.myspace.com/) ou dos "salas" de conversa virtual.No caso português, os comentadores não parecem ser muitos, embora a profusão de pseudónimos e nick names dê uma imagem de multiplicidade. São, na sua esmagadora maioria, anónimos, mas o sistema de nick names permite o reconhecimento mútuo de blogue para blogue. Estão a meio caminho entre um nome que não desejam revelar e uma identidade pela qual desejam ser identificados. Querem e não querem ser reconhecidos. É o caso da "Zazie", do "Euroliberal", do "Sniper", do "Piscoiso", "Maloud", "Bajoulo" "Xatoo", "Atento", Dasanta", "José", "e-konoklasta", "Cris", "Sabine", "José Sarney", "Anticomuna", etc., etc, Trocam entre si sinais de reconhecimento, cumprimentam-se, desejam-se boas férias, e formam minicomunidades que duram o tempo de uma caixa de comentários aberta e activa, o que normalmente dura pouco. Depois migram para outra, sempre numa tempestade de frases, expressando acordos e desacordos, simpatias e antipatias, quase sempre centrados na actividade de dizer mal de tudo e de todos.Imaginam-se como uma espécie de proletariado da Rede, garantes da total liberdade de expressão, igualitários absolutos, que consideram que as suas opiniões representam o "povo", os "que não têm voz", os deserdados da opinião, oprimidos pelos conhecidos, pelos célebres, pelos "sempre os mesmos". São eles que dizem as "verdades". Mas não há só o reflexo do populismo e da sua visão invejosa e mesquinha da sociedade e do poder, há também uma procura de atenção, uma pulsão psicológica para existir que se revela na parasitação dos blogues alheios. Muitos destes comentadores têm blogues próprios completamente desconhecidos, que tentam publicitar, e encontram nas caixas de comentários dos blogues mais conhecidos uma plataforma que lhes dá uma audiência que não conseguem ter.Não são bem Trolls, sabotadores intencionais, mas têm muitas das suas formas perturbadoras de comportamento. A sua chegada significa quase sempre uma profusão de comentários insultuosos e ofensivos que afastam da discussão todos os que ingenuamente pensam que a podem ter numa caixa de comentários aberta e sem moderação. Quando há um embrião de discussão, rapidamente morto pela chegada dos comentadores compulsivos, ela é quase sempre rudimentar, a preto e branco, fortemente personalizada e moralista: de um lado, os bons, os honestos, os dignos, do outra a ralé moral, os ladrões, os preguiçosos que vivem do trabalho alheio e dos impostos dos comentadores compulsivos, presume-se. O que lá se passa é o Faroeste da Rede: insultos, ataques pessoais, insinuações, injúrias, boatos, citações falsas e truncadas, denúncias, tudo constitui um caldo cultural que, em si, não é novo, porque assenta na tradição nacional de maledicência, tinha e tem assento nas mesas de café, mas a que a Rede dá a impunidade do anonimato e uma dimensão e amplificação universal.O que é que gera esta gente, em que mundo perverso, ácido, infeliz, ressentido, vivem? O mesmo que alimenta a enorme inveja social em que assentam as nossas sociedades desiguais (por todo o lado existe este tipo de comentadores), agravada pela escassez particular da nossa. Essa escassez não é principalmente material, embora também seja o resultado de muitas expectativas frustradas de vida, mas é acima de tudo simbólica. Numa sociedade que produz uma pulsão para a mediatização de tudo, para a espectacularização da identidade, para os "15 minutos de fama" e depois deixa no anonimato e na sombra os proletários da fama e da influência, os génios incompreendidos, os justiceiros anónimos, o "povo" das caixas de comentários, não é de admirar que se esteja em plena luta de classes. José Pacheco Pereira, historiador
segue-se o segundo comentário que fiz, depois de ter verificado que o primeiro tinha sido eliminado.
e-konoklasta a dit…
O MEU PROTESTO EM PRIMEIRO LUGAR:Fiz um comentário, pela primeira, ou segunda vez, neste blog, dizendo que o "público" tinha deixado de ter o meu crédito, por razões que expliquei e, acrescentei, que tinha apagado as suas referências dos meus blogs, por essas mesmas razões. Ainda não tinha tido a oportunidade de ler o texto do JPP e limitei-me a acrescentar que as opiniões deste senhor, de qualquer modo, não mudam a face do mundo...Como tenho outras tarefas urgentes a fazer, o que talvez não seja o caso de JPP e os bloggers que ele cita, dentro das próximas horas, terei de voltar, para ver se este comentário não foi, mais uma vez, eliminado, e, entrar em detalhes, relativamente a um certo número de "amalgames" e verdades absolutas que este senhor quer transmitir... mas que teme JPP ? Que se diga publicamente, já que não tem caixas de correio, e não é possível fazer qualquer comentário, que o seu blog é uma rodilha ?
Numa sociedade onde só se empresta aos ricos, creio bem que quem tem inveja dos pobres é bem o senhor Pacheco Pereira.
e-konoklasta (como Fernando Pessoa, como George Sand, como Isidore Ducasse, tenho direito a um pseudónimo)
o outro blog: imago

18.4.06

mito ou fantasia ?


a encantadora de serpentes (óleo sobre tela) le Douanier Rousseau

Pintura fantástica, esta, do Douanier Rousseau, que nunca deixou a França e, que começou a pintar depois dos quarenta anos, sem nunca ter visto a vegetação tropical que pretende representar, nem tão pouco esta encantadora.

uma verdadeira floresta tropical


floresta (óleo sobre tela) le Douanier Rousseau

a guerra de um visionário


a guerra (óleo sobre tela) le Douanier Rousseau

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